Turquia

Vale das Borboletas, ou como eu aprendi a parar de me preocupar e amar o barranco

É muito bonito quando as coisas em uma viagem saem conforme o esperado. É muito bonito ver a torre Eiffel, andar no Coliseu, não morrer no balão. Mas não são essas as histórias que você vai contar para os seus filhos, netos, ou, no meu caso, filhos das amigas para quem serei aquela tia bizarra que trabalha com cinema e de vez em quando viaja para lugares estranhos do mundo.

Não, a história que você vai contar é de como foi andar a cavalo em Cusco em um lugar com uma placa de “proibido andar a cavalo”, ou de como pegou uma intoxicação alimentar e vomitou no salão dos espelhos de Versalhes, vagou por Israel em guerra sem conseguir voltar para casa, ou ainda de como quase morreu no barranco do Vale das Borboletas, mas não viu uma única borboleta.

Tudo começa quando minha mãe diz “vão ao Vale das Borboletas, é lindo, tem milhões de borboletas”. Adoro borboletas e portanto vamos. Tínhamos como guia da Turquia, um país que, estávamos começando a perceber, não faz sentido, um Lonely Planet. Ele tinha sido útil e confiável até então, para achar hoteis, jeitos de chegar nas cidades, um bar pro meu aniversário… Exceto algumas falhas em Amsterdam, confiávamos nele. Então o Lonely Planet diz que existem dois jeitos de chegar: você pode ir até Olüdeniz, uma cidade próxima, e pegar um barco, ou ir até Faralya, uma vila de 150 habitantes e daí descer “um caminho íngreme que se faz em 30 ou 45 minutos”. O termo preciso usado pelo guia era “trail”, trail, para mim, é uma trilha, um negócio que se faz andando. Em 30 ou 45 minutos, qual era o problema? Nós tínhamos sobrevivido ao balão, aquilo era só uma trilha.  Tá, o guia menciona cordas nas partes íngremes, mas deve ser uma espécie de corrimão, é tudo parte da aventura, certo?

Ahhh, a inocência

Ahhh, a inocência

Esqueçam todos os erros de julgamento que vocês já me viram fazer. Esqueçam aquele cara que eu achei que era hetero, aquela dose de tequila que eu achei que podia virar, esqueçam. Meu maior engano nessa curta existência foi achar que o balão tinha sido a parte mais perigosa da viagem: para chegar na tal vila é preciso passar por uma serra que, como toda santa estrada na Turquia, é mão dupla. Nesse ponto eu já tinha aprendido que turcos respeitam muita coisa, chá é uma delas, mas certamente não respeitam a mão das estradas. Bom, se eu morrer aqui, pelo menos a vista é deslumbrante.

Não morremos, mas também não achamos a droga do lugar. Paramos em uma pensão qualquer e pedimos informação para um senhor idoso: “é só voltar uns 7 kilômetros e deixar o carro no George’s House”. Ele estava com uma certa cara de desconfiança, ou é impressão minha? Deve ser o carro, todo mundo que me vê com esse carro jura que vou morrer, aff, turcos, vocês não sabem nada.

Voltamos os 7 kilômetros, encontramos a George’s House, deixamos o carro. Ali só estão: nós duas e um grupo de israelenses com uma criança pequena. Eles tem uma criança pequena, quão difícil pode ser? Por outro lado, são israelenses. Amo israelenses com todo meu coração, mas não vou dizer que eles em geral tem boas ideias, começo a desconfiar de um lugar em que só estamos nós duas e israelenses. Mas ok, vamos achar logo essa trilha, onde está?

Um turco de camiseta do Batman grita para a gente: “é por ali!”, “muito obrigada, moço!” Então ele olha para os pés da Aninha, ela está de chinelos. “Você não tem sapatos melhores?” “Não, não tenho” “Por favor, toma cuidado” e de novo aquele olhar de “vocês vão morrer”. Qual é a dos turcos? Por que eles acham tanto que nós vamos morrer? Pelo amor de Deus, é só uma trilha, qual o problema do chinelo?

Siga os pontos vermelhos, disse o Lonely Planet e o turco com camiseta do Batman.Hum… mas não pode ser por aí certo? É um barranco, não é uma trilha, vamos por ali. Andamos um tanto, entramos no que parecia o quintal cheio de lixo de uma pessoa e percebemos que não, não era por ali. Viramos de costas, lá se vão os israelenses com a criança pelo barranco. Então…

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Sabe parede de escalada? Era tipo isso. Só que na vida real. Com pedras. Sem equipamento de segurança. Com uma cordinha pra te ajudar de vez em quando. A morte, meus amigos, ela gosta de pregar peças. Também gosta de jogar xadrez, mas como jogo xadrez terrivelmente (se você for condescendente suficiente pra considerar que jogo) era melhor não chegar nesse estágio. Era, claro, a melhor vista que já tive na vida, provavelmente tornada bem mais bonita porque eu estava ocupada demais assegurando minha sobrevivência.

Um pouco mais pra frente da viagem pulamos de paraglider, morro de vontade de pular de paraquedas, mas quando mencionaram bungee jump a minha reação foi “não tenho estrutura psicológica”. Consigo confiar em algo em que um instrutor vai comigo, em que a coisa consiste em um aparato que vai me fazer voar/impedir de cair, não consigo confiar que uma mísera corda elástica vai me salvar da morte. Quer dizer, não conseguia. Em algum momento, entre a terceira e a quinta escorregada que eu dei, acho que adquiri a estrutura emocional para pular de bungee jump. É maravilhoso esse momento de desapego da existência, recomendo.

A tática, elaborada logo nos primeiros minutos, foi “descer de bundinha”. Se escorregar, já tá no chão. Isso, claro nos pontos que não exigiam alguma manobra nível Tarzan/Homem-Aranha. Eu carregava uma mochila cheia de coisas, entre elas a câmera fotográfica que, dado o atual nível de pobreza, eu salvaria em detrimento de uma mão minha. No caso, eu carregava um Catch-22 (que tem lá suas 500 páginas) e fiz um arranjo em que, se eu caísse de costas, ele batia antes da câmera. Isso quer dizer que era a coisa mais externa na minha mochila que foi arrastada pela terra, raspada nas pedras, esmagada pelo meu peso. Acho um bom momento para confessar que o livro não era meu. Mas venho considerando fazer olhos de gatinho abandonado e pedir para ficar com ele, afinal o proprietário nem gostou tanto assim, eu amei muito, estou emocionalmente apegada agora que ele salvou minha câmera e provavelmente minhas costas e está bravamente carregando as cicatrizes da batalha, muito importante fazer olhos de gatinho abandonado e usar técnicas de persuasão adequadas. Sim, eu amassei o livro miseravelmente e estou com vergonha de devolver.

De mini saia, porque é preciso não perder o piriguetismo

De mini saia, porque é preciso não perder o piriguetismo

Enfim, assassinado o livro, adquirida a estrutura emocional para pular de bungee jump, tiradas as fotos, conquistada a história, nós chegamos na praia. Uma pedra tinha a seguinte inscrição “cuidado, a subida para a vila pode ser perigosa”. MAS VOCÊ ME JURA? E SÓ ME AVISA AGORA? Bom, vamos achar as borboletas.

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Exceto que não existem borboletas. “É um bosque”, minha mãe diz por mensagens. Achamos o bosque. “Parece a floresta da Tijuca”. Tá, não parece, mas minha mãe tem um certo problema com exagero e dramaticidade. Só que também não tem borboletas. É a época, eu penso, ou talvez o aquecimento global, elas desapareceram nos últimos dez anos. Vamos seguindo o fluxo de turistas na esperança de encontrar borboletas, vemos gente descendo de umas pedras. Mais pedras, não, por favor. Perguntamos para uma escocesa se as borboletas são por ali, sim, atrás da cachoeira. Atrás da cachoeira, ok. Agora se alguém puder, por favor, me explicar como alguém chega atrás da cachoeira, eu agradeceria, estou até agora tentando entender. “Só os inteligentes podem ver as borboletas”, diz a Aninha e nós vamos resignadamente para a praia.

Quando, andando por um caminho de terra, plano e sem maiores dificuldades, ela abre o dedo. Claro, mas é claro. Uma maravilhosa metáfora para nossa vida, esse momento.

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Claro também que no fim do dia era preciso subir. Respira fundo e vamos. Olha, um senhor turco, talvez ele vá explicar outro caminho. Eh… ele está falando em turco. Não, não, nada de barco, Faralya, Faralya! Ele olha para os chinelos da Aninha. Fala em turco. Faralya! Faralya! Gestos de andar. Ele insiste no barco. Não, não, nós descemos por ali e vamos voltar. Mais turco. Fazemos novamente gesto de andar. Não, não, não, ele diz. Sim, sim, sim, nós dizemos. Ele desiste. Não sem antes fazer a clássica cara de “meninas, vocês vão morrer”. Nós rimos na cara do perigo, meu senhor.

Acho importante mencionar que nos perdemos na subida. Acho que a Aninha contemplou a possibilidade de morrermos de fome, eu fiquei pensando como podia sinalizar a cruz vermelha ou qualquer outra instituição que me mandasse um helicóptero. Também enfiei a mão em uma planta venenosa e passei o dia achando que afinal ia virar o Capitão Gancho, mas não virei. Porém, em termos de risco de morte, a subida foi mais fácil. Ou nós já sabíamos o que esperar, não sei. O que aprendi na subida, em que quase escorreguei para a morte mais vezes do que na descida, é que instinto de sobrevivência é uma coisa maravilhosa: me segurei de uns jeitos e recuperei o equilíbrio com uma rapidez que nunca achei que eu fosse capaz. Fiquei feliz de saber que meu corpo é mais inteligente que eu.

O que aprendi com a experiência toda é que quando você quase morre para chegar em uma praia, ela se torna incomparavelmente bonita. Quando estava no mar e olhava para cima eu só via montanhas, nada de caminho, de cordas, nada. Era como se eu tivesse chegado ali por mágica. A praia do Vale das Borboletas é sim muito bonita, mas é mais bonita quando você pode contar essa história. Talvez ele seja mesmo mais legal sem as borboletas. Sou do partido que acha que a vida é mais legal quando você quase morre e quando não existem borboletas.

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Coisas que aprendi na Turquia – o final

1- Turcos são farofeiros. Muito. O farofeiro turco médio é equivalente ao farofeiro domingo de feriado na Martins de Sá no Brasil. Se você não sabe o que isso significa, sorte sua por não ter crescido em São José dos Campos.

2- A H&M de Istanbul achou uma boa ideia ficar no shopping Osasco. E as duas retardadas acharam uma boa ideia ir até lá.

3- Existem águas-vivas no Bósforo. Gosto de achar que a poluição vai torna-las mutantes comedoras de pizza com nomes de pintores renascentistas.

4- Mussaka não tem nada a ver com a mussaka brasileira e eu não sei fazer uma piada sobre isso.

5- Atravessar a rua é algo tipo pega na mão de deus e vai. Se há algo que me faz levemente contemplar a possibilidade de existência de deus é não ter morrido atropelada aqui ou no Cairo.

6- Está tendo um festival da Coreia em Istanbul. Já disse que esse país não faz sentido?

7- Bagdá é a capital do Iraque. Sim, fomos para a escola, boas escolas inclusive. Sim, tivemos geografia. Passamos em bons vestibulares, em boas posições. Não sabíamos disso.

8- O chamado pra reza das mesquitas é dessincronizado. Você passa uns dez minutos ouvindo todas as mil mesquitas ao redor.

Acabou. Sinto falta de um país que faça sentido, mas ainda assim não estou pronta para voltar. Algo a ver com coisas que eu não quero lidar, talvez, quem sabe.

Banho turco, Avalon e mau olhado

Como toda boa menina de quinze anos levemente esquisita, eu tive uma fase bruxa. Li As Brumas de Avalon, fiquei obcecada e comprei essências, acendi velas na banheira e pedi coisas pra deusa. O problema é que eu sempre fui uma pequena cética e nunca consegui acreditar em nada disso, mas ainda assim, até hoje, a ideia de mulheres meio bruxas me fascina.
Ontem de manhã acordei e fui a um banho turco. Não tinha muita ideia do que esperar, exceto piscinas quentes, talvez. O engraçado é que justamente a piscina não era quente.
O que realmente acontece é ser esfoliada, lavada e massageada por uma turca seminua gorda e com cara de bruxa. Claro que eu também estava seminua: até cheguei de biquíni, mas a parte de cima dele foi arrancada assim que a turca pôs a mão em mim. A mulher usava uma calcinha e um sutiã pretos de renda e em determinado momento, enquanto lavava uma australiana de piercing no mamilo, tirou o sutiã, não sei bem por que. Ela tinha cara de mulher que assim que você entra na casa dela te enche de comida e diz que está magrinho, por qualquer motivo achei que isso devia ser essencial pro processo.
Achei engraçado que ela era mandona da mesma forma que minha tia-avó judia é mandona, do tipo que manda como quem sabe o que é melhor pra você. Nessa história de ser massageada, lavada e sei lá mais o que, precisei virar de frente e de bruços várias vezes e ela sempre indicava isso com um tapinha na minha bunda e/ou no lado da coxa. Eu sempre fui meio chata com gente desconhecida me tocando, mas ali eu não me incomodei, é como se aquela mulher que lembrava minha vó (mesmo não lembrando em nada minha vó) realmente soubesse o que é melhor pra mim e tivesse toda a autoridade necessária para me dar um tapa na bunda.
Ela ria como quem sabe tão mais do que eu, como se eu fosse tonta de um jeito bonitinho, como se eu não soubesse nada de nada. O riso dela era um grande you know nothing Jon Snow. E acho que ela estava certa.
Quem também ri para mim dessa forma é a velha judia húngara que tira mal olhado em quem minha avó me leva de vez em quando porque aparentemente esse meu gosto por cemitérios me faz ficar pegando uns encostos. Não sei, tem coisas que eu prefiro não perguntar. Mas de vez em quando sou levada nessa mulher que mora em um apartamento enorme e antigo como existem mil em Copacabana. Vocês não sabem, mas eu chutaria que mais da metade da população do bairro é composta por velhinhos judeus vindos do leste europeu (dado que uns 95% é de velhinhos de qualquer religião e proveniência). Ela pega minha mão, ri de mim, diz qualquer coisa em ídiche para minha vó, mexe em umas águas e por fim amarra uma fitinha vermelha no meu punho. Não entendo nada, mas se ela diz que tirou o mal olhado, quem sou eu pra discutir? Dona Raquel aprova efusivamente o símbolo de proteção tatuado na minha nuca, diz que ele faz parte do trabalho, eu só precisava parar com essa mania de visitar cemitérios toda vez que viajo.
Não acredito em mal olhado, nem na Dona Raquel. O hamsa na minha nuca tem a ver com o colar que eu usei todos os dias durante anos, a ponto de virar algo que lembrava todo mundo de mim, meu símbolo. Virou minha primeira tatuagem por isso. Mas as poucas pessoas que conhecem a senhora minha tia-avó sabem da impossibilidade de se ganhar uma discussão com ela, então continuo sendo levada no apartamento da rua Anita Garibaldi para sentar na frente de uma velha húngara meio bruxa.
Eu gosto dessas mulheres que acham que sabem o que é melhor pra mim. Que agem como se fossem portadoras de um segredo milenar e que riem de mim porque eu obviamente ainda sou tão inocente e tão tolamente convencida de que sei muita coisa. Sou tola a ponto de não acreditar em mal olhado.
Quando a velha turca me virou de frente e começou o misto de lavação e massagem, ela apertou especialmente o lugar onde devem ficar meu útero e meus ovários. Foi bem a hora que tive essa sensação, de estar em um lugar que me lembrava Avalon, o tempo em que eu quis ser bruxa e todas essas mulheres que parecem saber algo tão precioso só porque são velhas e só porque são mulheres. Eu gosto da forma como elas riem pra mim, gosto de me sentir ainda tão jovem, de como elas perdoam minha burrice com a desculpa da inocência.

Coisas que aprendi na Turquia – Parte II

1 – Como muitas coisas nesse país, a mão das estradas não faz sentido: a maioria delas é, teoricamente, mão dupla, mas existe uma pista no meio que hora serve pra um lado, hora pro outro e assim, sem mais nem menos, você acaba na contra-mão. Apelidei mentalmente essa pista de limbo da ultrapassagem e quase morri do coração muitas vezes por causa dela.

2 – Rádios de música turca tocam música turca, rádios de música americana tocam música americana. As rádios de música americana não tocam nenhuma música deprimente, nunca, a não ser em uma versão remix horrorosa. Já estou íntima do remix de Clocks, Lovesong e Summertime Sadness.

3 – Quando o Lonely Planet chama algo de trilha, há grandes chances de ser um barranco. Um barranco que você vai ter que escalar sem nenhum tipo de equipamento de segurança. Mais sobre essa experiência de quase morte em alguns dias.

4 – Já disse que as estradas não fazem sentido? Passamos por uma estrada cujo limite, pela teoria, era 110 km/h. Era uma estrada maravilhosa, exceto que o limite na real era 50 km/h. 50 km/h! Na única estrada desse lugar que não beirava um barranco. Ou seja, tá liberado correr no barranco, na autoestrada segura e bem boa não está.

5 – Tudo é chamado de kebab nos cardápios em inglês. Nada é chamado de kebab nos cardápios em turco. Kebab de schroddinger, é e não é um kebab. Em tempo: o que no Brasil (e, suspeito, aqui) se chama de kebab, em Israel chama Shawarma; e o que em Israel chamam de kebab no Brasil é kafta, mas aqui na Turquia também é kebab.

6 – Em Kaputas, uma praia na costa do Mediterrâneo, você aluga um guarda-sol e ganha uma fanta laranja de brinde. Não sei, não perguntem, nada faz sentido.

7 – No Vale das Borboletas só os inteligentes podem ver as borboletas. E os portadores de guias do Lonely Planet quase morrem no barranco.

8 – Todos os cartões postais são feios, ou pelo menos uns 95% deles.

9 – Por algum motivo misterioso, as pessoas nesse país não põe fé em duas meninas de 1,50 querendo fazer coisas como pular de paraglider ou escalar barrancos. Não entendo, mas recebo incontáveis olhares de “menina, você vai morrer” todos os dias. Me vingarei no bazar, deixa eles acharem que sou boba.

Só me resta mais uma parada, Istambul, e então volto pra casa. Não quero voltar pra casa. Nada contra casa, nem nada especialmente a favor da Turquia, só não quero parar de viajar. Acho que vou juntar minhas fotos e pedir um emprego para a National Geographic, ou para o Lonely Planet, tenho uma ótima disposição para me jogar de barrancos, a única vítima dessa experiência foi o Catch-22 de um amigo meu,o pobre coitado acabou ferido de guerra.

Coisas que aprendi na Turquia até agora

1 – Toda cidade tem um Atatürk boulevard. Absolutamente toda. E toda nota tem a cara do Atatürk. Em todo ponto turístico tem um busto do Atatürk. O aeroporto principal de Istambul se chama Atatürk.

2 – Turcos não usam seta. Nunca. Me sinto a pessoa mais idiota do mundo dando seta nesse país.

3 – Existe um S cedilha (que não possuo nesse teclado) que tem um som entre S e X melhor conhecido como S de carioca. Está descoberta a função da minha semi-carioquice: conseguir pronunciar letras turcas. O C tem um som parecido com “tch” que eu não consigo imitar direito.

4 – Obrigado é uma palavra impronunciável! E olha que eu falo alemão

5 – Chá turco é feito de uma planta muito específica que só cresce no noroeste da Turquia, mas o gosto é igualzinho de chá preto.

6 – Velhinhos ingleses aposentados dominam Dalyan, uma cidade do litoral perto do Egeu. Dominam a ponto de ser possível achar Earl Gray quente no verão.

7- A Gol deles chama Pégasus Airline. E existe uma Azerbaijan Airlines

8 – Chaminé de Fada é um nome muito fofinho para algo que simplesmente devia se chamar grandes pintos de pedra.

9 – Cidades de praia se parecem no mundo todo, exceto que nessa tem 400 mil karaokês. Não vi nenhum turco em um karaokê, nem me arrisquei em um, atualmente só ando exibindo meus dotes de vocalista em festas privadas.

Pensei em fazer um “coisas que aprendi na viagem”, mas acho que a coisa mais relevante que aprendi em Amsterdam diz respeito ao funcionamento de pirulitos de maconha.