Sofia Coppola

Write about love

Eu me pergunto o que separa sua banda favorita de todas as outras bandas que você gosta. O que, para mim, separa Belle and Sebastian de Fiona Apple, Nine Inch Nails, Smashing Pumpkins, todas as coisas que talvez eu ouça até com mais frequência? Por que quando me perguntam eu nem tenho dúvidas em responder qual é minha banda preferida?

Talvez seja a diferença entre conseguir dizer todas as coisas que você gosta nas músicas e ter que simplesmente falar que é por algum motivo que você não sabe explicar, porque aquelas músicas te explicam.

Belle and Sebastian me explica. Eu sou uma personagem nas letras, mas vai além disso, é isso de não ignorar o que dói, mas falar disso de um jeito fofo, quase alegre, talvez mais triste porque quase alegre. É tentar de verdade colorir o mundo com caos.

Talvez seja isso que eu procuro nas pessoas. É fácil dizer que alguém gosta das mesmas coisas que eu, fácil achar alguém que goste mais ou menos das mesmas coisas que eu, difícil é achar alguém que entenda. Talvez eu procure por aquela sensação de que é tudo bem ser quem você é, aquela sensação ao ouvir alguém dizer que entende e isso ser verdade, ou ouvir uma história e pensar que você entende. É uma sensação de uma certa paz.

Eu procuro nas pessoas aquela coisa inexplicável que me faz dizer que Encontros e Desencontros é meu filme preferido, mesmo outros sendo melhores. Eu, que sou tão inquieta e sem lugar, procuro pela sensação de poder encostar a cabeça e ficar, ser acolhida sendo quebrada exatamente nos pontos em que sou, tendo todas essas cicatrizes que fecharam do jeito errado.

Eu desmoronei esses dias e hoje enquanto eu tentava colar os pedaços eu ouvia Belle and Sebastian. E eu sorri sozinha pela primeira vez em dias. Eu queria estar ali, com meu livro, com aquelas músicas, com minha caneca de chá e tudo parou de doer. Eu procuro nas pessoas essa mesma sensação. E perceber isso me fez parar de me julgar como chata, ou amarga ou terrivelmente exigente. As pessoas favoritas aparecem como as bandas e eu decidi aceitar meus critérios para as duas coisas.

I fought in a war and I left my friends behind me

To go looking for the enemy, and it wasn’t very long

Before I would stand with another boy in front of me

And a corpse that just fell into me, with the bullets flying round

 

And I reminded myself of the words you said when we were getting on

And I bet you’re making shells back home for a steady boy to wear

Round his neck, well it won’t hurt to think of you as if you’re waiting for

This letter to arrive because I’ll be here quite a while

 

Fell in love with a girl

Minha mãe lendo pra mim a parte de cinema  do Guia da Folha nessa sexta-feira: blablabla Bravura Indômita blablabla (sim, eu sou tipo o gato do whiskas sachê). Ou seja, enquanto eu ainda não vou lá morrer com irmãos Coen e aquela menina linda que tem 14 anos e usa Prada (e rever Cisne Negro porque merece) o que eu achei de legal no meu Google Reader super lotado:

Annie Leibovitz no set de Maria Antonieta ❤ no [Sofia Coppola]

O Tomboy Style vai virar livro! (eu, obviamente, quero agora)

Vermelho e nude ficam lindos juntos (e a Rachel Bilson é uma graça). No blog do Whowhatwear

Menina mais adorável sendo feliz na neve, no The Sartorialist

Os novos estilistas mais legais, no Refinery 29

Mais luto pelo fim do White Stripes… Dessa vez no site da MTV americana

Galeria de fotos com saias midi (eu tenho uma que comprei na GAP uns 5 anos atrás e ela nunca viu tanto a luz do dia quanto nesse verão), no facebook do Coquelux, pelas Oficinas de Estilo

E dois caras incríveis! Também no Sartorialist

 

(agora partiu que é o último fim de semana das férias)

Somewhere – A Obsessão

Eu sei que soa um pouco errado querer o figurino de uma personagem que tem 11 anos, mas a Cleo é uma miniatura de Sofia Copolla! Tudo é tão lindo, clássico, simples, despretensioso…

Vestido fofo, fresco e lindo por si só em Vichy

Estampa com cores delicadas e bonitas e mais nada.

Listras, azul e branco e mais delicadeza

Jeans com a barra dobrada para dar charme, camiseta listrada e cinto de couro.

Eu sei que não tenho 11 anos, mas tenho tido muita vontade de roupas de verão assim: delicadas, frescas, simples, com cara de quem está mais preocupada em aproveitar o sol lá fora.

As fotos vieram do site do filme , que é uma espécie de diário visual da Sofia e uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida.

Sofia, I Love you (but you’re bringing me down)

Eu não vou resistir a encher esse post com um milhão de fotos do filme. Mesmo que não seja o filme mais bonito da Sofia. Digo, esteticamente… não é Maria Antonieta com aqueles figurinos que me fazem querer morrer, nem As Virgens Suicidas com aquela luz rosa/dourada que é tão fascinante que me fez (junto com a Carol) achar que era a coisa mais linda de toda a existência. É como Encontros e Desencontros… na verdade, é bem parecido com Encontros e Desencontros. Mas é melhor.

Sim, Encontros e Desencontros é meu filme preferido e provavelmente vai continuar sendo, não importa quantos infinitos Godards ou Bergmans eu veja nem quantos filmes melhores a própria Sofia Copolla faça. Preferido é diferente de “melhor filme que eu vi na vida”, veja bem, eu gosto mais de “Demian” que de “O Lobo da Estepe”, não importa que o segundo é melhor. Mas, apegos esquisitos a parte Somewhere é o melhor dela até agora.

 

É o melhor porque nem todo silêncio é preenchido com música do Air, porque na maior parte das vezes o silêncio é só silêncio, angustiante e vazio. Porque a repetição é infinita e vazia e a gente não se sente sequer obrigado a se atentar a ela, como se sentiria em uma viagem a Tokyo. Porque ela alcança aqui aquele distanciamento do que se vê, graças a trilha sonora. Eu sei que ela bem que tentou em Maria Antonieta, mas nada vai bater a cena das meninas fazendo pole dance com uma música nada a ver: aquilo é tudo, tudo menos sexy.

Ou seja: estamos aqui, presos em um tédio silencioso e vazio de repetição onde nenhuma relação se dá como deveria ser. Claro, o cara consegue se aproximar da filha, mas não como pai, só como alguém com quem ela joga videogame, e mesmo que ele consiga dizer o que deveria ser dito ele sabe que ela não pode ouvir. Continuamos então desabafando ao telefone com pessoas que até poderiam, mas não querem nos ouvir.

 

Olhar para as múltiplas luzes de uma cidade e se sentir completamente sozinho define um filme da Sofia Copolla. É lindo e dolorido, mas talvez, só talvez, tenha saída. Talvez você consiga, um dia estabelecer uma relação não-disfuncional com uma dessas muitas luzinhas.

Mas ela não chega a ser tão otimista.

O que é verdade é, que sabe-se lá porque, os filmes dela me fazem feliz.