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Havana, a fotogênica

“Mira hay quién no baila en la Habana?”

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Post meio picareta enquanto faço a última viagem desse verão. As fotos são todas minhas, aumentam se você clicar.

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Que eu cansei da minha fuga

As pessoas viajam por mil motivos. Para ver lugares, para conhecer o mundo, para terem experiências espirituais, para se encontrarem.

Eu fujo.

Cada vez que eu entro em um avião, um ônibus, um carro, tudo fica onde eu estava. Cada vez que eu durmo em um quarto de hotel ele é minha casa, minha bolha, as quatro paredes dentro das quais eu concentro minha existência nesses poucos dias.

Essa sensação já me fez ter um pequeno romance em um quarto de hotel que eu tentei levar pra fora, mas desde o início sabia que não daria certo, que ele só existia na medida em que nós dois estivessemos fora do tempo e do espaço normalmente habitado. Das coisas que podiam ter sido e não foram.

Eu já fiz malas de impulso pro Rio de Janeiro porque é pra onde é fácil fugir. Eu já me internei lá por duas semanas porque continuava sem querer voltar pra minha própria vida. Hoje eu começo a desconfiar que estraguei o melhor esconderijo que eu tinha (mas isso é assunto pra outro post).

O assunto desse post é que eu fui pra Paris. Eu sabia que ia, mas ainda assim fui fugida. Com um plano de fuga bem elaborado e um mapa do tesouro, mas fugindo, como sempre. Então eu cheguei lá e não tinha mais cara de fuga.

Paris teve cara de casa, de uma forma como São Paulo nunca teve. E não é porque é Paris, porque é fácil se sentir em casa em um lugar como Paris. Não é. Pra mim nunca é e eu já fui a uma boa quantidade de lugares maravilhosos.

Paris não teve cara de casa pelo Pompidou (que é um dos meus lugares preferidos do mundo), teve cara de casa pelo supermercado, o metrô, o cheiro do vento, a humidade do ar. É uma sensação nos meus ossos que não achei que fosse ter, que eu não achei que fosse para mim. Uma sensação de caber no cenário, de respirar no ritmo certo, do sol bater do jeito exato para minha cor de cabelo. É estúpido, é clichê, é poético do jeito que eu menos gosto de ser poética, mas também é verdade.

Eu sei que vou chegar lá e querer fugir. Eu sei, eu me conheço. Eu sei que tudo que eu tenho feito nessa vida é tentar ignorar o que eu sei: que eu perdi a pessoa que me fazia sentir em casa, que casa era onde eu estaria com ele e eu perdi. Perdi porque ele não existe mais.

Mas talvez, só talvez, eu não queira. Talvez eu tenha a mesma sensação que eu tive nesses dez dias, de que minhas partes encaixam ali, que eu me fundo como o resto exatamente como quando você acerta no quebra-cabeça.

Eu não sou otimista e essa esperança é muito leve, ainda assim, estou planejando a rota pra casa.

 

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(esse blog tem bons textos, esse definitivamente não é um deles, mas blog pessoal serve pra chorume de vez em quando então tá aí)

Ai Weiwei, Pompeia e Hiroshima

LUi: tu n’as rien vu à Hiroshima. Rien.

A utiliser à volonté. Une voix de femme, très voilée, mate égalemant, une voix de lecture recitative, sans ponctuaction, répond: 

Elle: J’ái tout vu. Tout.”

No início de “Hiroshima, Meu Amor”, a Emmanuelle Riva repete, insistente, urgentemente que viu tudo, tudo em Hiroshima. Eiji Okada responde categórico, firme, que ela não viu nada em Hiroshima. Eu analisei essa passagem exaustivamente, eu escrevi sobre ela, eu li Proust e Bergson e eu soube que todo o filme se continha nesse diálogo. Eu inventei uma hipótese, eu defendi essa hipótese, eu acreditei que havia entendido o que esse diálogo queria dizer.

No fundo eu sabia que não havia entendido. Que eu não tinha visto nada em Hiroshima.

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Em janeiro eu fui à Pompeia e eu poderia dizer que vi tudo em Pompeia. As casas, os mosaicos, o museu, os corpos queimados. Mas enquanto eu andava, em um dia morno e chuvoso do inverno italiano, algo dentro de mim dizia, no mesmo tom inequívoco do Eiji Okada, “você não viu nada em Pompeia”.

Dois dias atrás eu fui ver a exposição do Ai Weiwei no MIS. Antes de entrar eles te pedem para tirar os sapatos, como ao entrar em uma casa chinesa, como ao ser revistado pela segurança. Você segue descalço, pés no chão branco, imaculado do MIS e a primeira coisa que eles te dão é uma série de fotografias da Nova York da década de 90.

São fotos do Village, do Lower West Side, de artistas, do Allen Ginsberg, do próprio Ai Weiwei, de gatinhos. De protestos em fontes, de moças de vestido florido e botas grunge, da Kathleen Hannah. São fotos que congelam o tempo, retratos íntimos, ternos, de gente querida que vivia em uma época e um lugar que já não existe mais.

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Toda a exposição fala da possibilidade da arte capturar a vida. Da arte como experiência vivida. Daí ser necessário tirar os sapatos. Tirar os sapatos em público, na frente de estranhos, pisar no chão frio do museu.

Quando eu via aquelas fotos, ali descalça, a sensação que eu tinha era de olhar para um sonho, para um filme, para algo irreal. Eu podia ver aquelas imagens, mas eu era incapaz de capturar o verdadeiro sentimento ali. Era uma exposição sobre a vivência da arte, mas eu não podia vivenciar aquilo que me era mostrado, eu só podia ver.

Eu vi Pompeia, mas eu não vi nada em Pompeia. Eu vi corpos carbonizados de quase dois mil anos atrás. Eu vi casas inteiras, mosaicos perfeitamente preservados. Eu vi uma cidade fantasma. Eu saí fascinada por ter andado por uma cidade inteira da época do império romano, com detalhes tão delicados que minha lembrança de Machu Picchu ficou pálida. Quase dois meses depois eu tenho a impressão que parte do meu fascínio veio do vazio, de andar em um lugar que ao mesmo tempo era e não era mais. Que congelou no tempo.

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Pompeia não morreu como as coisas naturalmente morrem, ela parou. E esse contraste entre uma cidade que parecia tão naturalmente habitada, mas não era, talvez seja responsável pela sensação de estar fora do tempo, fora do mundo que eu tive ali.

Em Pompeia eu entendi um pouco do que eu convenci o mundo que tinha entendido. Na exposição do Ai Weiwei eu senti a imensa distância entre arte e vida que eu detesto que exista, mas que é inevitável, mesmo quando você tira os sapatos.

Nenhuma dessas coisas se conectam, exceto nas terminações nervosas do meu cérebro e é um pouco isso: a gente vê, mas tem um fluxo vivo ali que não, ninguém apreende. A Emmanuelle Riva não viu nada em Hiroshima.

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(as fotos são minhas, a citação no início é do roteiro de Hiroshima, Mon Amour, da Marguerite Duras)

Quero ser John Keats

Eu disse que ia começar a falar do que eu via por aí, já que afinal não sei mais sobre o que escrever, então em janeiro eu fui ver Roma. Eu já tinha dito aqui que a Itália nunca foi aqueles lugares do topo da minha lista de vontades. Eu quero ir à Índia, à Islândia (Islândia é topo, topo da minha lista) ao Vietnã e  à Escandinávia (mas juuuuura?). A Itália era só um daqueles lugares que eu queria ir porque no final eu quero ir pro mundo todo.

Então eu fui à Roma, eu queria ir claro, mas sem que meu coração acelerasse por isso. Sim, sim, Fellini é um dos meus diretores favoritos, 8 1/2 é o melhor filme do mundo e eu sei de cor diversos (diversos) diálogos de A Doce Vida e era isso que eu esperava, uma cidade habitada pelos filmes que eu amava.

Roma foi mais que isso, mas ao mesmo tempo Roma foi aquele cara legal que você conhece no momento errado e jura pra ele que um dia, quando tudo for de outro jeito, você volta a ligar.

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Eu não gosto de arte renascentista,nem de Caravaggio, pronto falei. Agora você pode fechar o blog, me apedrejar, nunca mais sair pra tomar cerveja comigo, você escolhe. Veja bem, eu entendo o que se gosta neles, eu entendo o que é incrível, extraordinário, maravilhoso, mas não me toca. E eu vi muitos, muitos quadros que não em tocavam.

Eu também não gosto de igrejas barrocas. Eu gosto, isso sim, de igrejas góticas, eu gosto de idade média como poucas pessoas que já vi. Então eu vi mil igrejas que não me tocaram. Mas eu vi também a igreja de Santo Agostinho.

Santo Agostinho é um dos meus filósofos favoritos e a igreja dele é tão encarnada pelo que eu amo que talvez eu ache a igreja mais bonita do mundo. A igreja de Santo Agostinho tem teto baixo, sufocante, azul marinho e cheio de estrelinhas douradas. Por baixo do teto faixas de tule, etéreas, cheias de ar, como pedacinhos de Graça. Ela é escura, pequena, objetivamente muito menos bonita do que todas as outras e eu sabia disso. Mas tinha um teto de estrelinhas.

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Por outro lado eu entrei na basílica de São Pedro e nunca me senti tão longe de um Deus que eu nem acredito que existe. É tudo tão grande, tão enorme e tão, tão frio. Meu mestrado me diz que Lutero é um Deus distante e silencioso. Eu digo que a basílica de São Pedro sim é o silêncio de Deus.

Mas Roma é cheia de ruazinhas. Estreitas, apertadas, sufocantes. E de repente elas se abrem em uma praça, enorme, arejada. Eu queria me perder pelas ruazinhas. Eu queria estar sozinha e sentar em qualquer praça, café e escrever. Eu queria me perder, sozinha, sozinha de tudo. Prometo Roma, que um dia eu volto para escrever meu romance.

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Roma também é do Castelo Sant’Angelo. Eu já falei que gosto de idade média? Subi e desci todos as escadas. Olhei pelo espaço de cada um daqueles buraquinhos de arqueiro (trivia sobre mim: eu fiz um curso de história da arte em francês e aprendi o nome técnico em francês de todas as partes de um castelo da alta e da baixa idade média, esqueci, óbvio) . Subi lá em cima e Tosca eu entendo, a vista é tão bonita que você quer morrer um pouquinho.

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Eu preciso falar de Pompeia. Eu preciso falar de Nápoles. Eu preciso contar que se empilham três pedras e chamam de ruína eu quero ver. Eu perdi o fôlego com o Coliseu. Eu também fiquei sem bateria na câmera. Recomendo, eu, que tanto fotografo, gostei de ver, respirar, reparar nas quebras e não fotografar quase nada. Um dia eu ainda viajo sem câmera. Mas não agora, não tão cedo.

E a Fontana di Trevi. Que eu vi de dia, de noite, com sol, com chuva. Não vou falar dela. Deixa o Fellini fazer isso .

Eu quero voltar à Roma. Eu invejei o Keats, aquele quartinho com vista para a Pizza di Spagna, escrevendo, escrevendo, escrevendo. Eu quero voltar à Roma, mas para escrever. Para quem sabe, Fellini, que se existem anjos nesse mundo certamente é um, me ensinar como a gente afinal faz para ser tragicômico.

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(as fotos são todas minhas e esse post foi escrito ao som de Nino Rota, especificamente do tema de 8 1/2, recomendo ler com a mesma trilha)

I want to be the girl with the most cake

A Louise, que já faz um dos meus blogs preferidos, fez uma sessão baseada em Doll Parts do Hole. Achei lindo e achei que capturou bem aquele espírito da Courtney Love dos anos 90, meio beauty queen decadente e depravada que é imageticamente uma das coisas que eu mais gosto no mundo.

Da série: coisas que não tem graça repassar pelo twitter

Risco de giz

O primeiro desfile que eu fui na vida, assim ao vivo, envolvendo brindes e modelos e os fotógrafos todos empoleirados, foi do Ronaldo Fraga, aquele da Disneilânda, do verão 2009 se não me engano. E mudou a minha vida.

As cores, o efeito das rendas cortadas a laser, a mise-en-scêne, as caras lânguidas, sofridas, exploradas das modelos, a trilha do Jorge Drexler (que vamos lembrar, ganhou um Oscar) pra mim tudo aquilo era a tradução perfeita daquela frase do Zeca Baleiro “Disneilândia Eldorado vamos nós dançar na lama”. Eu nunca achei que moda fosse arte, por mais que goste, mas naquele dia eu tive vontade de dizer que o Ronaldo era um artista e depois de ver a exposição dele sobre o Rio São Francisco eu tenho mais ainda.

Ronaldo é artista porque seus vestidos são sensações traduzidas em outras sensações eu olhei para essas peças e me parecia exatamente que o tule era feito pra vestir como a água do rio molhando você, o algodão como se fosse  o vento ou os tecidos que você tocaria naquele lugar.

E se Ronaldo vive de criar sensações essa exposição é a obra prima dele… da sensação da cidade alagada e da força de ver no vídeo um Wagner Moura tão menino e já tão intenso contando como é não poder nunca voltar pra casa.

A milhões de outras sensações que não parecem recriar o que é o São Francisco, mas o que ele, Ronaldo, sente no São Francisco.

E me lembrou ao mesmo tempo aquele outro desfile dele… sobre a transitoriedade de tudo, sobre como tudo é risco de giz, porque tudo isso já não parece estar lá no Rio, como sempre, o Ronaldo Fraga parece falar de um tempo que já passou, ou que nunca existiu.

 

Mesmo que você não goste de moda, mesmo que o tema não te pareça interessante, tem que ir! Porque é ali no Ibirapuera, é de graça e é uma das coisas mais lindas que você vai ver em toda vida.

Francesinha

Como eu já disse aqui (e no twitter mais 1319393 de vezes) semana passada foi a semana do inferno, mas pelo menos eu comecei com o café da manhã de graça no Paris 6 (é só seguir no twitter  @Paris_6 e vai até o fim dessa semana).

Eu gosto de lá, da decoração francesinha (haha, lógico!) e da varanda e o café da manhã  tinha pain au chocolat e macarrons! #blairwaldorffeelings.

[Eu sei que super não dá pra ver, mas só pra constar: Vestido Handbook/ Meia Calça Express/Sapatilha: Arezzo/Bolsa: Prüne (uma marca argentina)]

[Esmalte: coque/ Batom: Natura Acácia (é tão velho que a linha dele nem existe mais na Natura, mas é um nude ótimo)]