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Eu tenho 26 anos e uma pressa desgovernada

Existe uma música meio brega e que estava na moda uns anos atrás que diz “you can’t be everything you wanna be before your time”. Se tem um conselho que eu preciso que uma música meio brega me dê, é este.

Eu tenho muita pressa. Eu tenho uma pressa terrível. Não o tipo de pressa que me faz chegar cedo em eventos ou nunca perder aviões, claro que não, jamais vivo sem correr o risco de perder um avião. Mas a pressa que me faz sentir o tempo passando rápido demais, a pressa de ser quem eu quero, de chegar em algum lugar, o mais rápido possível. Uma pressa que me faz ficar muito angustiada com velas em um bolo e com os desvios da vida.

Na tarde do meu aniversário eu conversava por facetime com meu amigo mais antigo, ele me perguntou como eu me sentia com 26 anos. Velha, eu respondi. Ele riu e eu continuei: “como se o tempo de fazer as coisas estivesse passando e eu não estivesse fazendo”. Então ele muito pacientemente, me lembrando porque a saudade é sempre terrível, listou todas as coisas que eu fiz desde que ele me conhece. Todos os lugares, não físicos, em que eu cheguei.

“Você é mais forte agora”, ele me diz, “eu tenho muito menos medo por você agora. Você sobreviveu.” Eu não contei que ele só diz isso porque não estava aqui para me ver perdendo o controle por algo tão terrivelmente estúpido porque não fui forte o suficiente para lidar com algo menos estúpido. Que ele não estava aqui para descobrir comigo que eu também pensava assim, que agora eu podia ter menos medo, e eu nunca estive tão errada.

Uma outra pessoa me disse que às vezes ele achava que eu tinha a pressa das pessoas que sentem que não vão durar muito tempo. Eu estava deitada de bruços na cama dele e me virei de lado, fiquei quieta por alguns segundo e neguei com a cabeça. Não, eu não tenho medo de não durar, eu tenho medo da apatia me vencer se eu não tiver pressa.

Como andar de bicicleta, é mais fácil se equilibrar quanto mais rápido você anda. Se eu paro, eu caio.

Eu tenho essa sensação muito forte de que o tempo vai passar por mim e eu vou ficar. Presa. Com meus pés enfiados na areia movediça. O tempo vai escorrer e eu nunca vou ter feito tudo que queria ter feito. Não vou escrever um livro, não vou ter um doutorado, não vou a Índia.

Não vou porque tentei e falhei, é um medo. Mais do que isso meu medo é de nem tentar, meu medo é de sucumbir ao peso dos meus membros, a névoa que toma meu cérebro e torna tudo tão, mas tão difícil de vez em quando.

Com voz doce, esquecendo as palavras do português, ele vai me lembrando de tudo que eu já fiz. Eu confesso, consciente do meu próprio ridículo, que gosto das garotas prodígios, das wunderkinds e enfants terribles desse mundo, que gostaria de ser uma. Que sei que Virginia Woolf diz que ninguém deveria escrever nada antes dos 40, mas eu quero ser Rimbaud.

Me pergunto se é o mundo que me faz ter tanta pressa. Se essa pressa não é só minha, mas de todo mundo, se a modernidade sendo como é faz com que todos nós tenhamos esse sentimento de ficar para trás em relação ao próprio tempo, de que se tudo não for feito antes de uma certa idade o tempo vai se esgotar, a ampulheta apita, meu deus como eu gostaria que esses vira-tempos da Etsy funcionassem de verdade.

Mas a verdade é que, como quer me dizer a música brega e levemente irritante, você não pode ser tudo antes do seu próprio tempo. Esse blog tem quatro anos, se você voltar até outubro de 2010 e o primeiro post, a pessoa escrevendo era outra. Eu escrevia de outra forma e escrevia muito pior. Entre outubro de 2010 e setembro de 2014 eu terminei um namoro, entrei no mestrado, escrevi uma dissertação toda e defendi, tive um outro relacionamento inteiro, fiz 6 tatuagens, mudei a cor do cabelo três vezes, voltei a fumar, conheci mais ou menos uns vinte países. E eu precisei de tudo isso para chegar nesse texto aqui.

É um conceito que me irrita um tanto. Esse de que eu preciso respeitar o que o tempo e a vida fazem comigo e o que eu sou hoje não era antes. Que os textos, as pesquisas, as ideias, elas vão sendo construídas aos poucos. As críticas de filme que eu fazia dois anos atrás não podiam ser como as de hoje pelo simples motivo de que eu tinha visto algo entre 60 e 100 filmes a menos. Eu não quero esperar estar pronta para algumas coisas, eu não quero sentir o tempo passando por mim. Até porque eu tenho medo.

O tempo e a vida nem sempre foram gentis comigo e eu às vezes penso que deveria correr na frente deles, fazer tudo e fazer agora porque se eu abaixar a guarda tudo desmonta de novo. Eu quero tudo e quero agora não com o medo de quem talvez fique pouco tempo nesse mundo, mas com o medo de quem está sempre jogando contra a aposta.

Mas talvez eu não esteja mais. Eu recolho pequenas polaroids desbotadas da noite passada e tento repetir para mim mesma a lista das coisas que já foram feitas. Talvez o tempo não esteja passando por mim, talvez eu não esteja para trás, talvez eu não precisasse ter feito muito mais do que já fiz. Eu queria acreditar nisso, eu queria acreditar que não preciso dessa pressa desvairada e dessa sensação de ser insuficiente sempre, devagar demais sempre.

Eu gosto da ânsia, eu gosto do impulso de movimento e eu sei que preciso dele, é meu jeito de curar a mim mesma, ou pelo menos de conviver comigo mesma. Mas eu dispenso a punição. Ou queria dispensar. Eu queria aprender que talvez as coisas aconteçam no tempo delas, talvez tudo que sai de mim precise de seu tempo dentro, sendo elaborado, se alimentando das coisas que eu vivo.

Ele levou o tempo dele para voltar pra mim. Nesse tempo, eu me cerquei de outras pessoas. Na lista dele não contava a quantidade de pessoas por quem eu me sentiria amada. Eu conto isso, que se tem algo que eu fico orgulhosa de mim mesma esse ano é da quantidade de pessoas em volta de mim e de como eu não tenho mais aquela pontada de incredulidade a cada declaração gratuita de amor de quem quer que seja. Ele diz que me ama, eu sei, eu digo. Você vai ser sempre minha pessoa preferida e a melhor parte de mim porque eu só aprendi que se pode gostar de alguém incondicionalmente quando você entrou na minha vida. Aquele tipo de segurança que alguém vai estar ali pra você, que alguém vai tentar consertar algo que te machuca mesmo antes que você peça, eu só aprendi com você.

Eu precisei do meu tempo para aprender a confiar nas pessoas. Quando eu tentei fazer isso antes do tempo deu tão terrivelmente errado que eu deveria ter aprendido. Não sei o quão importante é isso, não aplaca em nada a minha pressa terrível de todas as outras coisas que se eu fosse mais clichê diria que são menos importantes. Não acho que são, mas acho que eu nunca poderia chegar nelas sem essa primeira.

Como eu nunca poderia chegar nesse texto totalmente desnecessário e sem sentido dois dias atrás, antes dos 26.

 

Coisas que aprendi na Turquia até agora

1 – Toda cidade tem um Atatürk boulevard. Absolutamente toda. E toda nota tem a cara do Atatürk. Em todo ponto turístico tem um busto do Atatürk. O aeroporto principal de Istambul se chama Atatürk.

2 – Turcos não usam seta. Nunca. Me sinto a pessoa mais idiota do mundo dando seta nesse país.

3 – Existe um S cedilha (que não possuo nesse teclado) que tem um som entre S e X melhor conhecido como S de carioca. Está descoberta a função da minha semi-carioquice: conseguir pronunciar letras turcas. O C tem um som parecido com “tch” que eu não consigo imitar direito.

4 – Obrigado é uma palavra impronunciável! E olha que eu falo alemão

5 – Chá turco é feito de uma planta muito específica que só cresce no noroeste da Turquia, mas o gosto é igualzinho de chá preto.

6 – Velhinhos ingleses aposentados dominam Dalyan, uma cidade do litoral perto do Egeu. Dominam a ponto de ser possível achar Earl Gray quente no verão.

7- A Gol deles chama Pégasus Airline. E existe uma Azerbaijan Airlines

8 – Chaminé de Fada é um nome muito fofinho para algo que simplesmente devia se chamar grandes pintos de pedra.

9 – Cidades de praia se parecem no mundo todo, exceto que nessa tem 400 mil karaokês. Não vi nenhum turco em um karaokê, nem me arrisquei em um, atualmente só ando exibindo meus dotes de vocalista em festas privadas.

Pensei em fazer um “coisas que aprendi na viagem”, mas acho que a coisa mais relevante que aprendi em Amsterdam diz respeito ao funcionamento de pirulitos de maconha.

Let the Wild Rumpus Start

Internet, esse buraco negro de coisas legais:

Anel de armadura medieval

E de meteoritos. No Beach Black

Living in: An Education (um dos meus filmes preferidos no mundo e um dos figurinos mais legais que já vi). No Design*Sponge

Um grafite de o”Onde Vivem os Monstros”! No blog da Nylon

2010 segundo o Google, no Don’t Touch My Moleskine

Pequena fashionista no A Cup of Jo

E rabo de cavalo charmoso, também no A Cup of Jo

Máquina de macaroons! Olha só, meu aniversário é só em setembro, tem muito tempo pra esse negócio chegar do Japão… Também (como tudo de esdrúxulo e fofinho) do blog da Nylon

Agora eu vou passar minha noite discutindo Wong Kar Wai e possivelmente jogando Rumikubi (viva o nerdismo!)

 

Expresso do Oriente

Ontem a Chanel desfilou a coleção de pré-outono (sério? daqui a pouco vão ter 10 coleções diferentes ao ano) que foi inspirada no Império Bizantino, uma gente que gostava de muita cor, muito ouro e muito exagero. Aí que eu fui ver a coleção e ela é muito vida real! Quer dizer, tão vida real quanto um desfile da Chanel pode ser… e um pouco menos vida real que aquela coleção resort com as modelos descalças em Saint-Tropez (posso fazer em Búzios e achar que sou modelo da Chanel?), mas enfim, apesar de ser muito, muito lindo, quase tudo é meio que adaptável.

Sério… pega seu legging tipo American Aparel um blazer com botões dourados e faz um cabelo festivo, pronto.

Audrey Hepburn fez uma visita… (ou uma capa preta com broche da sua vó)

Uma das coisas que eu mais gosto do Karl Lagerfeld na Chanel é como ele moderniza coisas com fama de clássicas, se eu batesse o olho nessa menina na rua ia dizer que ela gosta de Smiths e olha que ela tá usando tweed, uma das coisas que pode ser mais chata da vida. Eu gosto disso porque por mais que hoje quase todo mundo associe a marca com clássicos a Coco Chanel era tudo menos clássica e muito pouco a favor da tradição.

Só porque eu achei fino (e sexy)

Eu amei esse vestido! Mas de novo, é uma ideia linda, mas bem simples.

Morri com essa cor. Nada mais a declarar.

Ok, esse não é vida real. Mas eu achei o mais bizantino de todos: veludo, ainda azul marinho, com dourado, bordados e esse colar. A princesa da Idade Média mandou dizer que morreu de inveja.

Eu quero agora! Esse vestido é tão chique e tão leve e despretensioso.

Morri com a cor e a modelagem meio anos 20.  Juro que se eu fosse o figurinista do Grande Gatsby encomendava um desse agora pra Carey Mulligan usar.

Skinny roxa e blazer luxo (minha mãe tem um blazer luxo, hehe…)

Mais um bem lindo e bem passarela… (a bolsa, a bolsa!)

Lurex e sandália baixa pra usar de dia ou  em noite de verão (tem uma cara meio Missoni né? mas enfim…)

“Sou tão fina que faço essa cara de desprezo pra você”

Achei que foi a escolha perfeita de modelo, porque a roupa é clássica, mas o cabelo e o rosto dela dão um ar meio rock.

Só porque eu achei esse vestido uma das coisas mais lindas que eu já vi e porque a modelo tá sorrindo (uau!)

Audrey Hepburn vai a balada.

Edie Sedgwick encomendou esse pra festa de fim de ano do além (se eu pudesse ter uma peça dessa coleção era essa, eu sou tão 60’s wannabe)

ok Lagerfeld, sua Bizâncio é muito mais linda que a original (e eu fiquei totalmente obcecada com dourado desde o último desfile da Rodarte)

Mas fácil de imitar mesmo é a maquiagem: sombra dourada, delineador enorme, batom nude-apagado e uma headband bonita (estou procurando uma desde já, se alguém achar…)

Ah sim, o que eu achei mais legal de tudo foi a matéria no site da Nylon sobre o desfile chamar Young Turks! (eu disse que é minha revista favorita)