Coisas que aprendi na Turquia – Parte II

1 – Como muitas coisas nesse país, a mão das estradas não faz sentido: a maioria delas é, teoricamente, mão dupla, mas existe uma pista no meio que hora serve pra um lado, hora pro outro e assim, sem mais nem menos, você acaba na contra-mão. Apelidei mentalmente essa pista de limbo da ultrapassagem e quase morri do coração muitas vezes por causa dela.

2 – Rádios de música turca tocam música turca, rádios de música americana tocam música americana. As rádios de música americana não tocam nenhuma música deprimente, nunca, a não ser em uma versão remix horrorosa. Já estou íntima do remix de Clocks, Lovesong e Summertime Sadness.

3 – Quando o Lonely Planet chama algo de trilha, há grandes chances de ser um barranco. Um barranco que você vai ter que escalar sem nenhum tipo de equipamento de segurança. Mais sobre essa experiência de quase morte em alguns dias.

4 – Já disse que as estradas não fazem sentido? Passamos por uma estrada cujo limite, pela teoria, era 110 km/h. Era uma estrada maravilhosa, exceto que o limite na real era 50 km/h. 50 km/h! Na única estrada desse lugar que não beirava um barranco. Ou seja, tá liberado correr no barranco, na autoestrada segura e bem boa não está.

5 – Tudo é chamado de kebab nos cardápios em inglês. Nada é chamado de kebab nos cardápios em turco. Kebab de schroddinger, é e não é um kebab. Em tempo: o que no Brasil (e, suspeito, aqui) se chama de kebab, em Israel chama Shawarma; e o que em Israel chamam de kebab no Brasil é kafta, mas aqui na Turquia também é kebab.

6 – Em Kaputas, uma praia na costa do Mediterrâneo, você aluga um guarda-sol e ganha uma fanta laranja de brinde. Não sei, não perguntem, nada faz sentido.

7 – No Vale das Borboletas só os inteligentes podem ver as borboletas. E os portadores de guias do Lonely Planet quase morrem no barranco.

8 – Todos os cartões postais são feios, ou pelo menos uns 95% deles.

9 – Por algum motivo misterioso, as pessoas nesse país não põe fé em duas meninas de 1,50 querendo fazer coisas como pular de paraglider ou escalar barrancos. Não entendo, mas recebo incontáveis olhares de “menina, você vai morrer” todos os dias. Me vingarei no bazar, deixa eles acharem que sou boba.

Só me resta mais uma parada, Istambul, e então volto pra casa. Não quero voltar pra casa. Nada contra casa, nem nada especialmente a favor da Turquia, só não quero parar de viajar. Acho que vou juntar minhas fotos e pedir um emprego para a National Geographic, ou para o Lonely Planet, tenho uma ótima disposição para me jogar de barrancos, a única vítima dessa experiência foi o Catch-22 de um amigo meu,o pobre coitado acabou ferido de guerra.

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