Game of Thrones como madeleine do Proust

Então de repente eu estou ali, saindo da Puc, caminhando para pegar o ônibus, desesperada e desastradamente procurando meu celular dentro da bolsa quando percebo que meu deus, o tempo passa! Mas é claro que o tempo passa, Isadora! Não é porque você viu um vídeo do Doctor dizendo que tempo é só um monte de timey wimey wibbly wobbly stuff que ele parou de passar.

Sim, sim, claro, eu sei que o tempo passa! Todo mundo sabe que o tempo passa, mas você já se perguntou qual a relação entre nossa ideia “objetiva” de quanto é pouco ou muito tempo e o como ele passa de fato? Por exemplo, um ano parece muito tempo, principalmente quando você sai de um festival e sabe que tem que esperar até ano que vem para ir de novo, ou quando acaba uma temporada de série de tv, um ano é muitissimo tempo para se viver sem saber o que acontece depois! Mas no Lollapalooza desse ano, na verdade na véspera do Lollapalooza desse ano, enquanto eu arrumava a mochila para o dia seguinte, me dei conta que fazia um ano que não via uma pessoa.

Um ano… um ano que ele tinha partido meu coração, eu virei tequilas demais, passei vergonha no pole dance e depois morri no meio da balada. Um ano que eu não via o rosto dele, ouvia a voz dele ou sabia alguma coisa. Não parecia um ano. Parecia novo, recente, às vezes até doía um pouco.

Um ano é muito tempo quando cai sua ficha de que uma coisa tem quase um ano. Dois meses, três meses, tudo isso pareceu pouco, pareceu ontem. Parecia que vocês acabaram de se conhecer e não tinham história nenhuma e de repente você se pega dizendo “lembra daquela vez?” ou “aquele filme de janeiro” e sua vida mudou nesse tempo, coisas aconteceram, você foi para três países diferentes e meu deus, isso já tem bastante tempo!

Vocês já pensaram que são três temporadas de Game of Thrones? Três anos que estamos obcecados com dragões, khaleesis e George Martin seu carniceiro, devolve aqui aquele personagem que eu gostava! Eu ainda namorava quando assisti a primeira temporada! E parece que faz tão pouco tempo que ainda nem aprendi a não me apegar aos malditos personagens que vão morrer.

Um mês: tem um relógio em contagem regressiva na minha cabeça, tic tac, qualificação, tic tac, capítulo escrito, tic tac, viagem para Turquia. Um mês, um mês é muito pouco tempo! Não vai dar! É tarde, é tarde, é tarde! Mas um mês… julho só acabou agora, no início de julho eu estava em Paraty e Paraty parece o século passado. Meu coração apertado de saudades e de vontade de voltar pra lá e faz só um mês. Julho acabou de acabar e eu fui para Paraty, para BH, para o Rio, para Córdoba… quanta coisa cabe em um mês?

Quanta coisa cabe em dez anos? Quanta coisa coube nesses dez anos? Quanta coisa coube nos 15 anos antes daquela tarde? Em dez anos alguém entra e sai da sua vida e quando se tem 24, dez anos parecem uma eternidade, você não imagina a vida sem alguém que entrou nela há dez anos, é seu amigo mais antigo, é a única pessoa que olhava para você sabendo quem você foi. Imagino se aos 34, quando fizer dez anos dessa pessoa fora da minha vida eu nem vou lembrar que ela um dia esteve?

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