Excessiva

Eu quero coisas demais. Tá Isadora, a gente sabe, você já falou disso aqui mil vezes.

Sim, eu sei, eu sei que devem existir mil textos nesse blog sobre o como eu quero tudo ao mesmo tempo agora, mas eu não posso evitar. Eu não posso evitar porque é verdade.

Para o semestre que vem eu peguei horas de estágio, uma matéria extra no mestrado e me matriculei em aulas de russo. Eu ainda tenho uma dissertação pra escrever. Eu ainda quero frequentar uma oficina de narrativas e gostaria de fazer dança contemporânea.

Ao mesmo tempo eu quero ler todos os livros, ver todos os filmes e finalmente escrever todos os meus textos engavetados e não acabados.

Mais cedo ou mais tarde eu serei obrigada a admitir que não vai dar.

O que é irônico é que eu não gosto tanto de ser tremendamente ocupada, eu detestaria ter a vida em que chego em um escritório de dia e só saio à noite, sem tempo para ler ou ver filmes. Mas eu vivo uma vida em que ler e ver filmes não são mais folgas e tudo vira um enorme rolo.

De certa forma, eu não tenho folga. Todo livro, todo filme, toda exposição é trabalho. Toda noite em mesa de bar, todo cara, toda minha vida é material. Eu tenho medo (mas acho que já é tarde demais para impedir) de virar a pessoa que enquanto tá na cama com um cara pensa o quão boa é essa história que eu possa usar “artisticamente” mais tarde.

Não é uma questão de tempo, é questão de querer abraçar o mundo e fazer tudo, absolutamente tudo. Eu não poderia ser feliz tendo um trabalho que me consumisse o tempo, justamente porque eu preciso estar realizando dez coisas. Assim como não é tanto questão de tempo o fato de que eu não vou conseguir.

Não vou conseguir porque é assim que as coisas são. Porque não se pode falar 6 línguas sendo uma delas em alfabeto cirílico, ser doutora antes dos 30, escrever um livro e ter uma bagagem cultural intergaláctica. Não dá. Mas eu quero. Eu quero tanto realizar coisas que estou ficando com aflição das minhas mini-férias.

Eu estou na flip, vendo pessoas falar de literatura, tendo ideias e essas ideias fervem em mim de um jeito que eu não consigo esperar para usa-las. Mas eu preciso de rotina, de silêncio, de horas comigo mesma para escrever qualquer coisa e aí eu quero sair dessas férias e voltar para a rotina para realizar coisas.

É exagerado, sim, claro. É estúpido na verdade, viver com essa sensação de que quero mais, quero o que não tenho, quero tudo. Não se pode ter tudo, eu mal tenho talento/sorte/disciplina para ter algo. E eu preciso admitir para mim mesma que não vai dar

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