Fim

Eu gosto de ano novo e todo ano novo eu digo isso.

Eu gosto da sensação de que, ainda que simbolicamente, tudo começa de novo. Que acabou, tudo que ainda roda em volta de mim, me assombra vai ficar aqui e eu magicamente vou começar de novo.

Eu sei que não é assim, mas 2012 foi um ano difícil.

Em 2012 eu consegui partir meu coração duas vezes. E é tão irônico porque em um ano aconteceu duas vezes algo que até então, na minha vida toda, só tinha acontecido outras duas. E mais irônico ainda que a mesma pessoa que fez isso em 2003, fez de novo em 2012. I guess somethings never change…

Eu perdi o chão por algumas coisas e eu me segurei muito bem com outras, que todo mundo esperou que eu fosse enlouquecer. Eu me assustei com a minha falta de medo da morte. Eu fiz três tatuagens, duas delas em um dia que tudo doía tanto que eu só precisava que algo doesse de verdade. Eu fiquei ruiva porque é assim que eu lido com tudo que não quero lidar. Eu fumei mais cigarros do que em todos os anos anteriores juntos.

Eu também saí mais. Fiz mais amigos. Aceitei todo e qualquer convite pra tomar cerveja, mesmo nos dias que eu não podia. Trabalhei mais do que nunca em coisas legais. Em alguns aspectos 2012 foi o meu ano.

Foi o ano que depois de tanto tempo eu voltei a ser quem eu era e não é exatamente uma escolha, mas é algo que custa muito caro. Foi o ano que eu lembrei como é tremer quando alguém te beija e eu lembrei o quanto dói quando isso desfaz, menos de um mês depois.

No fim, minha sensação não é a de um ano ruim, mas eu me sinto exausta. Hoje ainda faltam 11 dias pro fim do ano, mas eu to indo embora. Eu volto, daqui a um mês. Nesse tempo eu vou ler Anna Karenina, brincar com o São Bernardo do vizinho, ver as crianças brincando no mesmo lugar que eu brincava quando era pequena, comer falafel e abraçar uma das pessoas que mais me faz falta nessa vida. Eu vou ver a Fontana di Trevi e tomar sorvete e alugar uma Vespa mesmo que isso signifique ir parar em um hospital em Roma.

Eu preciso disso, eu preciso ir embora. E eu preciso deixar muita coisa aqui e não voltar pra elas depois.  Dói, mas eu tenho a sensação de leveza de finalmente estar fazendo a escolha certa.

Eu nunca fiz a escolha certa, eu nunca fui sensata. Agora as coisas me deram vontade de ser. Eu só sei que eu preciso que alguma coisa mude.

 

(claro que tudo isso só é válido se o mundo não acabar amanhã, o que eu estou torcendo pra acontecer)

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2 comentários

  1. Que lindo! Inspirador! Vá e volte com novas ideias, cheia de criatividade e historias pra contar, vontade de estudar e tomar cerveja com os amigos do mestrado! Ir as vezes é tão bom!

  2. 🙂 tenho acompanhado o blog. saudades das conversas, Isa!
    Em 2012 eu resolvi largar tudo e fazer o que eu sempre quis, ainda que isso custasse caro e que os caminhos fossem tortos. Estranho é que tenho a sensação que não é ano novo, que o ano não virou ainda…acho que viverei o ‘ano novo’ só em setembro, quando eu voltar pro Brasil. Ir embora é bom, mas voltar também é.

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