Egotrip

 

Há algumas horas atrás eu disse para alguém “pra ser artista você precisa de uma dose de ego, pelo menos pra considerar encher o mundo de expressões dos seus sentimentos/opiniões”

É bem isso.

Eu vivo em uma corda bamba entre as coisas que eu quero realmente fazer, porque eu amo, porque é isso porque é tudo que eu sempre quis da minha vida e não ter coragem de pedir para o mundo prestar atenção nelas.

Eu não tenho coragem de roubar duas horas da vida de alguém com um filme meu, ou alguns dias com um livro que eu pudesse escrever. Não tenho. Minha vontade é dizer “me esquece, vai ver Bergman, vai ler Dostoievski”. Mesmo quando eu olho para algo que eu fiz e acho realmente bom eu não tenho coragem de pedir que alguém efetivamente gaste tempo, energia e atenção comigo.

Por outro lado eu tenho um blog, não? Eu venho aqui e escrevo as vezes e se fosse só para mim eu me mantinha no meu diário. Eu tenho um diário. Eu tenho infinitos cadernos diferentes, onde coisas diferentes estão escritas, algumas para nunca serem mostradas.

Eu não sou melhor que as pessoas que as vezes eu julgo. Eu não sou melhor que a menina que eu julguei esses dias porque parecia não ter qualquer dúvida, insegurança ou dor em relação ao trabalho dela. No fundo, eu gostaria que o mundo parasse e prestasse atenção em mim e perdoasse todas as minhas esquisitices porque só porque sim.

No fundo eu meio que construí a coisa de um jeito em que sim, eu posso ser desagradável, desorganizada e chata e as pessoas deixam passar porque eu embalei de um jeito bonitinho e coloquei o rótulo de que eu sou esquisita, inconstante ou reservada. Eu ouço muitas vezes que eu sou uma espécie de exceção de pessoa legal dentro de um certo tipo de pessoas. Não. Eu só sou melhor em açucarar as coisas.

Meu problema é que a camada de açúcar não é mentira. Minha timidez e minha insegurança e essa vontade imensa que eu tenho de nunca incomodar ninguém, de que ninguém nunca sofra por minha causa um único segundo, são de verdade. E elas convivem com alguém que tem essa droga de blog e não fala de mais nada, além de si mesma.

Inclusive, eu tenho uma tag que chama Egotrip, mas vou me enganar postando isso as 4 da manhã, quando ninguém vai ler.

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1 comentário

  1. Esse ano, no meio das muitas (e muitas!) publicações póstumas de frases do Steve Jobs, tinha uma em que ele dizia algo como “As pessoas precisam entender que os caras que estão lá dentro…” e obviamente ele se referia às empresas de tecnologia, mas afinal, “não são necessaria mente mais inteligentes do que elas, que elas também são capazes de mudar o mudo [blá blá blá]”. Eu parei de ler o texto por que o cara é sim, um gênio e provou isso zilhões de vezes, inclusive a ponto de poder se impor contra a lógica corporativa tradicional e botar um pouco de, be, arte, na coisa toda. Ao mesmo tempo, eu que sempre digo que “todo mundo é inteligente, só precisa descobrir pra quê” me pego perguntando às vezes “será que ele é normal e a gente se subestima mesmo? que a diferença não é entre quem tem e quem não tem (os dons) mas entre quem percebe — que a maior parte dos status diversos em que as pessoas que estão acima de nós se apoiam são ilusórios — e quem não? Eu rio toda vez que você se chama de looser no Twitter, pensando em qualquer dia te chamar pra um papo e dar umas aulas de fracasso. Ainda assim, sucesso pra quê. Divaguei. Na real queria só dizer que tá tarde, mas a essa hora eu tô trabalhando, e lendo blog das amiga. Beijo.

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