A little bit Daisy Buchanan

-Você é a Daisy Buchanan

-Não sou não. Ok que as pessoas não me amam nem nada, mas eu ainda não sou tão odiada.

-Você deixa as pessoas te amarem, mas você nunca ama de volta. Ou, quando ama, você é orgulhosa demais, ou tem medo demais, para demonstrar qualquer coisa.

-Ela amou o Gatsby, a vida inteira.

-Sim, claro, mas ela deixa ele ir embora. Casa com o primeiro cara que gosta dela, que a idolatra na verdade, mas ela nunca sente nada. E quando o Gatsby volta ela só demonstra qualquer coisa quando tem absoluta certeza de que tudo aquilo, a mansão, as festas, tudo, era pra ela. Ela espera ele fazer o movimento primeiro. E mesmo assim ela não arrisca, ela não foge com o Gatsby, ela opta por não sentir nada. E como você tem certeza que ela amava mesmo o Gatsby?

-Eu não tenho, nem ela tem. Talvez por isso ela não fuja, é muita coisa a perder por amor. E amor acaba, amor vai embora, ela sabe que o Gatsby ama uma imagem, um sonho, algo que ela nunca poderia ser. Ele necessariamente se decepcionaria com a Daisy de verdade e ela teria perdido tudo.

-É isso né? Você deixa que amem sua imagem. Você deixa que amem essa aura de coisa impossível, de inconstância em você. E depois você se aproveita disso e foge.

-Não, eu mostro uma imagem que as pessoas estão dispostas a amar.

-Por que o que você é de verdade nunca poderia ser amado? Você nunca poderia se colocar no lugar da pessoa vulnerável, daquela que deseja alguém, que quer amor e atenção, porque não teria a menor possibilidade de alguém corresponder a isso? Uma vez que se colocando nessa posição essa imagem desaparece.

-Exatamente. A Daisy só é a Daisy e só é desejada na medida em que a voz dela soa a dinheiro. Você fala demais em amor. As pessoas são obcecadas com imagens de outras pessoas e passam a vida tentando encaixar isso nas pessoas erradas. o Gatsby só era um pouco mais lúcido e nunca projetou em ninguém.

-E a Daisy?

-Talvez ela nunca tenha amado ninguém. Talvez ela tenha e doa tanto que ela se recuse a projetar essa imagem e tentar de novo. Talvez a única coisa que ela tenha seja uma voz que soa a dinheiro. E tudo que você tem é muito a perder por amor.

-Você tem medo de perder quem você é.

-Eu tenho medo é de não ser nada.

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