I tried being a writer, but I hate what I write

Esses dias eu comecei Pergunte ao Pó, já passei um pouco da metade e é um bom livro, mas algo no personagem me surpreende: o Bandini, mesmo com só um conto publicado, se diz escritor. Assim como a Esther Greenwood, em Redoma de Vidro, assim como a própria Sylvia Plath.

Eu nunca consegui fazer isso. Eu quero escrever, sempre quis. Eu tenho um conto publicado, só um, em uma revista do Goethe Institut. Mas eu sempre fui a pessoa que diz que quer ser escritora e eu me pergunto muito como isso acontece. Sim, você antes de ser pago pra isso precisa escrever algo.

E eu sempre me bato com isso, porque escrever algo requer disciplina, comprometimento, não é algo que você vai fazer as duas da manhã depois de finalmente terminar tudo que tem pra fazer. Mas eu também não consigo decidir que um tempo do meu dia eu vou sentar e escrever quando eu deveria resolver meus freelas, ler os livros do mestrado, enfim, fazer alguma das coisas que realmente me pagam para fazer. Parte de mim se sente vagabunda de passar uma tarde escrevendo quando tem coisas a serem feitas, mas parte de mim sempre acha que está fazendo menos do que deveria fazer com a vida.

O que me leva ao segundo problema: parte de mim (a maior parte) não consegue acreditar que qualquer coisa que eu tenha a dizer merece ser ouvida. Se um dia eu escrever um livro eu vou querer gritar “não perde tempo comigo! vai ler Hemingway, Dostoievski, Kafka, Fitzgerald!”. Mas talvez isso só seja parte do problema maior em que eu nunca consigo pedir que qualquer um gaste o tempo e a atenção comigo, imagina com meu livro.

Eu quis pedir a atenção de alguém e não pedi. Eu quero escrever coisas e não escrevo. Ai a vida não anda pra frente e eu ainda reclamo!

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1 comentário

  1. “Parte de mim se sente vagabunda de passar uma tarde escrevendo quando tem coisas a serem feitas, mas parte de mim sempre acha que está fazendo menos do que deveria fazer com a vida.
    O que me leva ao segundo problema: parte de mim (a maior parte) não consegue acreditar que qualquer coisa que eu tenha a dizer merece ser ouvida.”

    Isadora, tudo o que você disse é tão real pra mim e por isso é muito fácil se colocar na tua posição. Passo exatamente por isso. Às vezes a gente PRECISA (olha que estranho) que alguém de fora olhe, enxergue de verdade, comente… Mas então por que tantos escritores famosos e brilhantes que hoje são inspirações aparentemente não precisavam disso? Acho que o ponto tão difícil é se desprender, é de postar, de escrever e botar pra fora. Não é fácil se auto estimar.

    Mas se o ponto de alguém de fora ajudar; você escreve tão lindamente bem! Você coloca pra fora de um jeito muito bonito e ao mesmo tempo natural. Parece que estamos conversando num dia despreocupado qualquer. Mas não fica fácil, contido, banal. Sempre leio sorrindo (em parte porque me identifico a beça) porque parece um desabafo secreto e inteligente. Você faz o que um verdadeiro escritor faz: confidencia. Poxa, de coração, Isa: dá muito certo. Eu sei que a gente nunca vê, mas dá mesmo. Essa leitura já valeu minha noite.

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