Faltou um pouco de vento

Eu gostava que você tinha gosto de cigarros. Eu gosto ainda. Eu gostava do cheiro meio desmaiado de fumaça no meu cabelo de manhã e eu sei que você detestava como eu acendia seu isqueiro e aproximava um dedo, mais próximo, tão próximo que eu sabia que se respirasse mais forte ele entraria na chama.

Eu achei que você detestava o quão perto eu chegava de machucar a mim mesma assim, na sua frente, com seu próprio isqueiro. Mas talvez você apenas não pudesse suportar o quão perto da chama eu podia chegar sem nunca errar, sem nunca tremer a outra mão, sem que nunca um vento empurrasse o fogo na minha direção.

Outro dia, sem querer, eu queimei meu braço no forno. Ainda assim, eu brincava com o fogo, perigosamente perto, deixando minha mão ali por tempo suficiente para que qualquer acaso ganhasse de mim. Ele nunca ganhou. Talvez eu devesse ter esperado mais? Talvez você não devesse ter retirado o isqueiro da minha mão assim tão rápido. Eu queria achar que você detestava a ideia de que eu chegava tão perto de machucar a mim mesma, que em algum momento eu o faria e você teria que ver, mas não era isso, era? Era só que você nunca ia fazer o mesmo.

Eu tenho meu próprio isqueiro, você sabe, você sempre soube.

Me distrai da falta do gosto de cigarros.

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