but you can’t

Há um pouco mais de uma semana eu encostei meu cotovelo na borda do forno quente. Fez bolhas. As bolhas estouraram. Minha pele saiu e um pedaço do meu braço ficou em carne viva. Afinal, fez uma casquinha que dói muito e solta de vez em quando e tudo começa a sangrar de novo.

A maior parte do tempo eu penso “que bosta, isso nunca vai sarar? eu nunca vou poder encostar em nada sem reclamar de dor?” Mas as vezes eu encosto só pra sentir doer um pouquinho, eu olho pra ver se a ferida ainda tá lá. Eu me acostumei com ela, esse pedaço de pele despedaçada e retorcida que nunca vai fechar direito, que vai sempre ficar marcada, eu quase gosto dele. É como ter uma desculpa pra sentir dor e todas as desculpas que você pode usar para vida uma vez que sente dor.

Eu oscilo então entre a vontade de não sentir absolutamente nada, desde que não doa e a tendência de cutucar feridas e lembrar de quando eu faria absolutamente qualquer coisa só pra doer (ou me convencer que doía)

 “the little scratch on the roof of your mouth that would heal if only you could stop tonguing it, but you can’t.”

(Clube da Luta”)

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