Soma

“‘But I don’t want confort. I want God, I want poetry, I want real danger, I want freedom, I want goodnes, I want sin.’

‘In fact ‘ said Mustapha Mond ‘ you’re claiming the right to be unhappy.’

‘All right then,’ said the Savage defiantly, ‘I’m claiming the right to be unhappy'”

E então eu estou toda bonitinha cumprindo minhas resoluções de ano novo: 2012 tem 10 dias e eu já li 3 livros, um deles foi Admirável Mundo Novo.

Sim, só hoje. No meu colégio se falava muito nele, mas por algum motivo eu fui deixando pra lá enquanto lia Simone de Beauvoir, Sylvia Plath, Marguerite Duras e todas as outras meninas angustiadas que eu gostava naquela época. Depois veio 1984 e eu gostei tanto e fiquei tão mal ao mesmo tempo que eu tive medo do desapontamento que necessariamente viria de um livro que ia ser comparado com outro que me deixou sem comer durante dois dias. Enfim, um dia eu comprei uma edição em inglês só porque era bonita e depois de ter enfiado 3 bestsellers na mala das férias decidi que seria o bom contraponto para começar a voltar.

E então o livro me desapontou de fato. Sim, o Huxley é assustadoramente profético, sim o discurso do Mustapha Mond para o John é algo incrível, mas falta desespero na escrita do Huxley e minha alma é dramática. Mas não é nada disso que vale eu vir escrever.

O que me chamou a atenção é que por sexo de menos ou demais, tanto em Brave New World como em 1984 o amor é uma coisa perigosa. Qualquer amor, qualquer laço ou envolvimento. Em Admirável Mundo Novo ninguém tem pais, em 1984 as crianças denunciam os próprios. Em ambos os casos se apaixonar por alguém é motivo para ser punido.

Eu não tenho vontade de responder o porque. Minha resposta imediata é que na relação com alguém você é único, especial. A única pessoa a saber isso ou aquilo, a conhecer esse ou aquele gesto, não importa, amar alguém nos torna indivíduos (quer dizer, há controvérsias, mas to otimista hoje) e indivíduos são aquilo que as distopias mais temem. Pensamento livre, individualidade, liberdade os dois autores parecem concordar: são perigosos e de um jeito ou de outro nós vamos perder.

 

(se interessa há alguém eu já peguei um Philip Roth e tenho um Amos Óz e “Liberdade” na pilha)

 

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