Síndrome de Ofélia

“porque o amor nada tem a ver com a alegria e nada tem a ver com a felicidade”

(Nelson Rodrigues, em “Memórias – A Menina Sem Estrela”)

Eu tenho uma matéria sobre Dostoievski e Nelson Rodrigues esse semestre, o que quer dizer que estou lendo furiosamente os dois desde junho. Pra ser sincera eu peguei Os Irmãos Karamazov no início de julho e só fui terminar no fim de agosto, mas é russo, é trágico e tem 1000 páginas, então é justificável não? E quando acabou fiquei uma semana sentindo falta do Ivan, essa minha alma gêmea literária.

Nelson Rodrigues eu nunca tinha lido já tinha visto infinitas adaptações no cinema e uma montagem de Vestido de Noiva, mas nunca tinha lido nada. Comecei por A Cabra Vadia, que é um livro de crônicas e é engraçado que ao mesmo tempo que tem uma coisa muito dele, muito obsessiva,neurótica, pessimista, trágica, tem umas coisas que você acha que podiam facilmente rodar email de mãe assinadas pelo Arnaldo Jabor, tipo uma crônica que ele manda as mulheres serem interessantes em vez de bonitas (eu discordo veementemente, dava tudo pra não ser inteligente e ser bonita suficiente pra ganhar a vida de stripper ou achar alguém que me sustente sem ter crises “de gênero” com isso)

Mas aí eu me bati com essa frase e é isso, todo o Nelson Rodrigues é isso: as obsessões, as adúlteras, as tragédias, as alunas da puc que tomam grapette de bíquini e são felizes e por isso não sabem amar. Me lembra um parágrafo do Hesse que um amigo citou outro dia em uma conversa sobre coisas do tipo e eu acho que os dois tem muito em comum.

Eu gosto desse senso de trágico, se me deixam eu sou a maior drama queen da existência! Juro que se soubesse que não iam me internar (e que enfim eu ia morrer) eu fazia a Anna Karenina e me jogava nos trilhos da cptm por qualquer cara que não me quisesse (pobres homens da cptm, já iam ter me limpado de lá umas 20 vezes). E nem é que o cara tenha algo tão especial, nem é ele, é só eu e essa minha vontade de tragédia: eu me descabelo, deito no chão do banheiro de casa e choro me retorcendo, bebo até ser impedida e tenho a forte sensação de que vou morrer louca e afogada no lago. Por isso quando o Nelson Rodrigues fala que em cada sobrado da Tijuca mora uma Anna Karenina ele ganhou meu amor eterno (e eu me senti abraçada)

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