A moça da propaganda de absorvente e a nutella

Sabe propaganda de margarina? pessoas felizes e contentes tomando seu café da manhã com filhos lindos e loiros e labrador? Tem uma  coisa que me ofende mais: o comercial de absorvente. Porque eu consigo fazer algum tipo de esforço da imaginação para acoplar o comercial de margarina: é fim de semana, eles são absurdamente ricos e absurdamente chatos, é a Islândia, qualquer coisa assim.

Mas sinceramente eu não consigo configurar nenhum espaço-tempo, universo paralelo ou planeta esquisito em que eu sairia por aí com meu vestido esvoaçante e florido rindo e saltitando cercada de homens bonitos quando estou menstruada. E isso tudo por causa de um absorvente! Talvez (eu disse talvez!) se esse absorvente lavasse minha louça, varresse minha casa, limpasse a caixa de areia da minha gata E conjurasse o Ryan Gosling na minha cama.

Primeiro problema: os homens bonitos. Eu não sei onde eles estão, mas na rua e em São Paulo é que não é, quando muito eu cruzo com uns hipsters razoáveis por ai. Mas enfim falta de homem e tal tá ficando repetitivo (nesse blog, na minha vida, na das minhas amigas… you get the picture).

Agora os reais problemas: a única coisa que eu quero fazer menstruada é me enrolar no sofá, abraçar a gata com força, beber todo chá da minha casa (e eu tenho mais chá que a Ramona Flowers) e me entupir de chocolate. Eu até as vezes compro nutella! (e eu como um pote de nutella de uma vez, ela é tipo minha kriptonita, não comprar nutella é o único jeito que eu ainda caibo nas minhas calças). Com muito atroveran, ob e força de vontade eu me arrasto até a balada onde o alcool faz o resto do serviço e ainda assim eu fico de bode em algum ponto!  Porque sério, minhas pernas doem, minhas costas doem viver dói!

A moça da propaganda de absorvente é tudo aquilo que eu não sou, a maior representante da minha inveja, desgosto e olho gordo. Ela é tão animada que fica de bom humor até menstruada e eu sou o bode em pessoa; o cabelo dela é lindo as 7 da manhã, o meu só quando eu saio do cabeleireiro; ela é simpática, eu sou pior do que o lovechild do Nietzsche com a Susan Sontag; Ela é o tipo de garota por quem eu sou inevitavelmente trocada e ela não engorda comendo nutella e sim eu sou recalcada.

Ela também não existe, mas eu continuo achando que sim. No próximo post da série mitos destrutivos da sua auto-estima o comercial em que a Adriana Lima se depila enquanto dança sexymente.

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