“É que eu sou fluente em sarcasmo”

Sabe como as pessoas (“as pessoas” eu adoro usar isso como entidade, não importa o que minha analista diga sobre isso) sempre dizem que você tem que achar o que gosta e amar o que faz e bla, bla, bla? Bom, eu gosto de estudar e escrever e decidi fazer exatamente isso da minha vida, até porque eu sou uma pessoa bem pouco tolerante com coisas que não gosta.

Do tipo quando eu era adolescente e todo mundo ia em um show da Ivete Sangalo mesmo as pessoas que não gostavam só pelo programa eu não ia, eu teria ficado sendo loser na internet vazia em casa se não tivesse show do Garotos Podres no mesmo dia (e bem na frente). Um outro dia teve show do Jota Quest e bom, eu fiquei em casa sendo loser na internet sozinha.

O que me leva a meus outros dois talentos: ser loser e ser engraçada de uma forma desconfortável. Sabe, não importa se eu cresci pra ser loira, apresentável e do tipo que pega caras quando sai sem fazer  muito esforço, vive em mim uma pessoa inadequada socialmente, que derruba absolutamente tudo que pega e que tem um gosto que beira o inaceitável por quadrinhos e filmes envolvendo ets e essa pessoa inevitavelmente se envolve em situações dramáticas/ridículas//patéticas (vida segunda feira!)

E sendo minha vida esse enorme amontoado de situações desastrosas ela fornece muito material para o outro talento: ser má e irônica e potencialmente engraçada. Eu faço os outros rirem, as vezes de coisas aleatórias (prêmio Björk!)  mas 90% do tempo a piada é comigo mesma e toda essa capacidade de ser inadequada que eu tenho. As vezes, vendo o Woody Allen, o Larry David, o Kafka, o Bashevis Singer e até o esquete da Natalie Portman no Saturday Night Live eu fico achando que o talento pra auto-depreciação veio junto com o judaismo, no mesmo pacote que a neurose , a tendência para desproporção da bunda em relação ao resto do corpo e propensão a doenças respiratórias.

E você já está se perguntando “isso vai chegar em algum lugar?” sim vai. Vai chegar na minha nova obsessão com a Mindy Kaling que vem de uma antiga leve obsessão com a Tina Fey. Elas não são bonitas, ou especialmente bonitas, elas são bem-sucedidas mas não tem tudo arranjado e elas fazem piada disso. Principalmente a Mindy Kaling tem me ganhado com o misto de ironia, neurose e “ei eu sou inteligente, mas ainda gosto de comédia romântica!” que é exatamente quem eu quero ser, ou deveria estar tentando ser em vez de sentar em cima da minha neurose e rabugisse e fazer ironia em emails pra melhor amiga explicando o que é transvaloração e tirando toda moral do Nietzsche. Eu devia estar tentando ser menos má e mais irônica, me preocupar menos com o como eu não sou perfeita  e assumir toda graça que tem em ser o desastre que eu sou.

Mas sendo eu essa pilha de neurose, duvido que isso saia desse post.

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1 comentário

  1. Bem, pelo menos você é inteligente e gosta de estudar, o que vai te levar a algum lugar de uma forma ou de outra.

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