Infinito Particular

Hoje, depois de algumas semanas de enrolação e procrastinação deliberada, eu terminei de ler “Lendo Lolita em Teerã” e eu até poderia falar que deveria estar lendo um milhão de outras coisas em vez disso, mas isso todo mundo já sabe.

“Lendo Lolita…” é um livro tão lindo, tão delicioso de continuar que eu acho que parte da minha demora veio de não querer acabar, de não querer me despedir da Nafisi e das suas aulas, de não querer sair daquela sala que cheirava a doces e café turco, onde eu estava sentada durante todo o livro. Ano passado, a Nafisi veio a Flip e dividiu uma mesa com o Yehoshua, eu achei interessante na época hoje eu achei que a organização devia ter pensado melhor porque no fim, em uma mesa com um israelense e uma iraniana se falou muito de política e pouco de literatura e ambos fazem uma bela literatura. Agora, depois de ter lido o livro, eu faria de tudo para ouvir a Nafisi falar sobre como foi escrevê-lo.

Talvez uma boa mesa teria sido com a Wendy Guerra, já que as duas escrevem livros tão terrivelmente femininos. Não só porque giram em torno de mulheres, mas porque se dão inteiros nesses ambientes íntimos, pequenos e tão ricos, nesses microcosmos em que, nos dois casos, mulheres de certa forma apartadas da existência externa, existiam por inteiro. E é isso que eu adoro também em Virginia Woolf, “Mrs Dalloway” é uma costura de microcosmos sendo o de Clarissa Dalloway o mais compexo deles, na Sylvia Plath também e, mais ainda, na Jane Austen.

Em “Lendo Lolita…” elas leem também Jane Austen (e Fitzgerald e Henry James) e é justamente quando se tornam mais próximas umas das outras, quando habitam esses ambientes por vezes saturados de meninas (são 5 irmãs Bennet em “Orgulho e Preconceito”, 3 irmãs Dashwood e um pai morto em “Razão e Sensibilidade”), mas ricos em detalhes.

Devo estar me repetindo por aqui,e talvez devesse falar de como “Lendo Lolita…” é um livro sobre o poder formador da literatura, mas não to afim. Só quero continuar falando desses microcosmos tão femininos, delicados, frágeis, belos e sufocantes.

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