Knowing only what she didn’t want

Eu ouvi esses dias, mas não exatamente com essas palavras, que eu preciso que puxem meu tapete pra poder escrever. É verdade.

Não é tão simples quanto “eu preciso ficar mal pra escrever”. Não sei se é todo mundo, ou eu sou extremamente frágil, mas quando eu fico “mal” de verdade, não é porque isso ou aquilo aconteceu é porque eu fugi de mim, porque minha identidade de alguma forma despedaçou e eu passo dias me olhando de fora, dias não sendo eu e, de novo eu não sei se sou só eu, mas eu não escrevo assim. Eu escrevo quando eu posso entender os limites do meu próprio eu e, sendo assim, separar o que não sou eu e vai parar no papel.

Acho que daí vem a puxada de tapete. A possibilidade de mudar a perspectiva das coisas, de distanciar de mim aquilo que eu não conseguia enxergar. Foi engraçado, porque alguns dias depois eu estava sentada no starbucks, bebendo meu chá verde, ouvindo Air e alternando entre “Lendo Lolita em Teerã” e “Princípios epistemológicos das ciências da religião” enquanto três caras falavam sobre vender açúcar pro Oriente Médio e sobre como os valores de imóveis em São Paulo se comparavam aos de Manhattan (pronunciado Menhetten).

Foi engraçado porque vendo o oposto ali na frente, me olhando esquisito com rabo do olho, eu pude entender de certa forma o que não era eu. É como uma pequena epifania, se olhar nesse espelho invertido, que me permitiu colocar tantas coisas do lado de fora.

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