Trabalho Sujo

Trabalho Interno é um documentário da Escola Michael Moore de documentários americanos, o que eu gosto, apesar de já ter tido ressalvas na época em que eu achava que documentários deviam ser (tremam!) idôneos. Assim, não é que eu esteja aqui defendendo o senso de existência de Super Size Me, acho sinceramente que, da forma como o filme é feito, ele não existe, mas estou defendendo um Michael Moore que se coloca na frente da câmera e faz filmes que não tem outro propósito do que o de defender uma tese. É como se de repente a minha dissertação tivesse a obrigação de falar sobre a verdade do que significava a morte para o Bergman, é ridículo e impossível. É claro que o cinema é uma mídia extremamente persuasiva e eu sei, sempre, que é muito difícil dizer não para ele, mas aí eu já acho que a culpa não é do Michael Moore, mas da falta geral de educação imagética (eventualmente, quando terminar “Lendo Lolita em Teerã” discorro sobre isso).

Enfim, voltando a Trabalho Interno, é aquele tipo de documentário que, por mais que tente parecer mais isento, você vê as falas recortadas, o uso de zoom tendencioso a montagem precisa para incriminar seus entrevistados. Se eu tenho algo contra? não sei. Eu reluto em expressar qualquer tipo de moralidade em relação as coisas públicas, mas vá lá, de certa forma eu acho certo manipular e incriminar a fala de pessoas que, aparentemente, fuderam com tudo. Até porque essas pessoas estão sentadas em milhões suficientes pra se manterem ilesas caso esse documentário seja uma calúnia. Quer dizer, claro que acusando pessoas a gente arrisca de estar errado, mas é assim tão errado acusar injustamente com um documentário (porque sério, quem assiste documentário?) a pessoas que ganham em um ano mais do que você vai ganhar na vida? Não estou dizendo que é, mas acho que é válido de se pensar a respeito.

Tenho pensado muito em Fitzgerald e a validade de se “incriminar” pessoas de certa forma inatingíveis pelo bem de se demonstrar algo importante. Quer dizer, existiam Daisys Buchanans de alguma forma no mundo, mas eu duvido que a vida delas tenha mudado devido a parcela ínfima da população que leu O Grande Gatsby (porque vamos concordar, é ínfima). Mas um ponto foi feito e um belo romance sobre a juventude, a beleza e a corrupção foi escrito. No fundo, eu acho que aqueles senhores do documentário e , mais ainda, aqueles citados, mas que não aparecem de fato devem ter feito muitas falcatruas e ferrado muita gente, mas se eles não fizeram isso, eu me pergunto se é mesmo muito errado acusá-los disso e fazer um belo filme sobre ganância, hermetismo e manipulação.

É como se fosse um trabalho sujo, meio imoral, meio questionável, mas que alguém tem que fazer.

(Trabalho Sujo é nome de um outro filme, com a fofa da Amy Adams, nada a ver com esse, mas o título era bom demais pra perder)

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