Se você viu um filme…

Se você for a uma festa e nenhuma foto aparecer no Facebook, você realmente foi a essa festa?

 

Essa é uma mensagem especial pra Aninha: esse post não contem spoilers e você pode ler.

(voltamos a nossa programação normal)

Eu ouvi dizer o tempo todo (leia-se: desde sexta feira quando o filme estreou) que “A Rede Social” era um filme sobre a frieza da nossa geração. Não é. É um filme sobre pessoas que querem se comunicar, mas não conseguem. Não conseguem porque perderam o controle e sim, essas pessoas somos nós.

Eu também li, isso desde que o hype do filme começou, que  o filme (e principalmente o livro, “Accidental Billionaires” em que ele foi baseado) não são acurados e vilanizam demais o Zuckerberg. Eu acredito nisso, mas acho que não importa. Eu já disse em diversas conversas por aí (e devo ter importado esse argumento de alguém importante que eu não lembro quem é) que não importa se deus existe ou não, a religião é real, a experiência de deus para quem acredita é real. Se a história do Facebook é ou não aquela é menos importante, o que importa é que você senta por duas horas na frente de um filme que é a sua realidade.

Uma realidade que de certa forma substituiu aparência pela “relevância” e em que um fora da namorada é sim motivo para mudar o mundo, o que mais seria? Nós perdemos o controle: daquilo que é importante, da maneira como nos relacionar e da extensão de nós mesmo que é a internet e, mais importante que tudo, da nossa capacidade de nos comunicar.

Para mim o maior mérito do David Fincher é finalmente esquecer a Sociedade do Espetáculo como cinema ou tv e perceber que o tal espetáculo são suas fotos no Facebook e é articular isso de uma forma perfeitamente digerível, mas incômoda, como quem diz: eu sei, meus queridos, vocês não sabem para onde estão indo. Exatamente assim, sem crítica, apenas um retrato.

E um retrato muito bem feito! Eu não quero ficar aqui falando de roteiro e montagem e personagens e, bla,bla,bla “eu fiz cinema e sei usar termos técnicos”, basta dizer que nos primeiros 3 minutos de filme ele fez o personagem e te convenceu de todo o resto que ele vai mostrar na próxima uma hora e 57 minutos. E eu precisei gastar tudo isso só pra dizer que “A Rede Social” é um puta bom filme!

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