Na cozinha e no espelho

Eu acho engraçado ter demorado tanto pra vir fazer esse post, porque o texto foi se formando na minha cabeça há muito tempo e foi uma das principais razões de eu ter aberto esse blog.

Tudo começou quando, em um sábado a noite em São José dos Campos (!) eu fui ver “Comer, Rezar, Amar” e eu até que gostei do filme, Julia Roberts é carismática, os cenários são incríveis e a história é relacionável. Simpático. Tipo “O Diabo Veste Prada” eu acho, bobo, mas inteligente dentro dos bobos. Mas uma coisa me incomodou demais.

Ok que a Julia Roberts e aquela sueca de 2 mestros de altura falam que tudo bem engordar, mas elas engordam de verdade? visualmente? E as revistas falavam como “olha a Julia Roberts engordou 5 kilos durante as filmagens na Itália”, mas inevitavelmente acrescentavam “e perdeu tudo logo depois”. Ou seja… por um lado todo mundo quer dizer que tudo bem engordar um pouco, mas no fundo, ninguém acredita nisso de verdade.

Pra mim, “Comer, Rezar, Amar” vem um pouco na esteira de “Julie e Julia” filmes que falam sobre mulheres frustradas por terem assumido posições na vida que elas não gostariam de ter assumido e agora devem voltar a entrar em contato com elas mesmas e a comida, ou melhor, o prazer de comer é um dos gatilhos para isso. Faz sentido, comer é uma das coisas de mais “prazer para você mesmo” que você pode fazer e comer bem, como ambos os filmes advogam, requer fazer uso de todos os sentidos, é uma espécie de olhar para você mesmo. Até aí, tudo faz sentido: as mulheres se desligaram do verdadeiro eu delas e devem voltar a encontrá-lo, uma das formas de fazer isso é através da comida que coloca todos seus sentidos e sua percepção em uso.

Mas comer engorda. E ser gordo, nos últimos tempos, é muito pior que ser deficiente, principalmente porque gordo é gordo porque quer (afirmam revistas, filmes, e tudo mais que te bombardeia o tempo todo). E é aí que está o problema desses filmes novos: elas comem e podem até dizer que engordam, mas visualmente (e o visual, nesse caso, muda tudo) continuam tamanho 36 (ok, vai, 38).

No fim isso soa pra mim como mais esquizofrenização da imagem feminina. Te dizem que é bom comer com prazer, que você deveria abandonar essa culpa que te persegui pelos últimos, sei lá, 10 anos, que tudo bem engordar. Quer dizer, dizer que engordou, porque engordar mesmo, ninguém engorda.

obs: ainda assim, eu acho esses filmes melhores do que aqueles em que mulheres nem sequer comem.

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