Reflexão sobre a sombra amarela

Lá embaixo, no primeiro post desse blog, eu refleti sobre o meu caos particular entre gostar e falar de moda, maquiagem, esmaltes, blá, blá, blá e fazer um mestrado sério em ciências da religião e gostar de Bergman e ler Dostoiévsky e blá, blá, blá. Mas como eu acabei de dizer, é meu caos particular e eu não resolvi ele tão fácil assim.

Sim, sim, eu repito sem parar que “ah é saudável pensar em coisas divertidas e comuns e ‘fúteis'” (inclusive eu repeti isso ontem a noite), mas no fundo, toda vez eu paro e penso “pra que?”. E aqui eu vou desenvolver longamente o meu porque com maquiagem, só porque o assunto vem me rondando desde ontem.

A história começa quando eu ia pra escola e na minha escola tinha uniforme. Uniforme é aquela coisa que deixa todo mundo igual, mas eu tinha 13 anos, sabia quem era Bikini Kill e obviamente não queria ser igual. Saída? esmalte azul (juro que ainda era esquisito em 2001) e um milhão de acessórios comprados no Mercado Mundo Mix (na época que ainda existiam clubbers). Na segunda parte eu entrei no colegial e lá uma série de meninas ia com lápis preto todo dia e  de repente isso dizia muita coisa sobre o tipo de música que elas gostavam, os livros que elas liam e, enfim, quem elas eram.

Aí que eu acho que toda essa experiência me deu um senso muito forte de que o que você põe na sua cara diz um monte sobre quem é você. Por que afina, se não fosse por isso, por que raios você colocaria uma coisa na sua CARA? Eu sei que a princípio o objetivo da maquiagem é te deixar mais bonita e de certa forma mais “igual”, mas se fosse só isso por que existiriam sombras amarelas? Porque sério, ninguém fica mais bonita com sombra amarela!

É claro que eu tenho uma base e um corretivo e todas aquelas coisas que servem pra fingir que sua pele não tem poros do tamanho de uma mina terrestre, mas se você me chamar pra balada a enorme probabilidade é que use um monte de lápis preto e um batom nude que me deixa com cara de morto, não é exatamente a maquiagem que mais me favorece, mas ela me diverte horrores e eu acho que esse é o segundo porque da maquiagem: ela é divertida! Eu não vejo qualquer sentido em alguém que perde 40 minutos toda manhã pra se maquiar e reclama disso, eu perdia uns 15 sim, mas eu gostava e era um início de dia quase tão divertido quanto ir andando pra aula e ouvindo Belle and Sebastian (6 dias, 6 dias!!!)

Eu acho que a maior função de tudo que você põe em você é facilitar a comunicação e dizer um pouco sobre quem você é. Do mesmo jeito que tudo aquilo que você gosta (escola Rob Gordon da análise de personalidade). Tudo isso que faz você interagir, se comunicar e não passar a vida pensando que você vai morrer de qualquer forma e mesmo até lá, nós estamos todos fudidos.

(sim, eu passo um tempo considerável da minha vida pensando que nós estamos todos morrendo mesmo)

 

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