Sofia, I Love you (but you’re bringing me down)

Eu não vou resistir a encher esse post com um milhão de fotos do filme. Mesmo que não seja o filme mais bonito da Sofia. Digo, esteticamente… não é Maria Antonieta com aqueles figurinos que me fazem querer morrer, nem As Virgens Suicidas com aquela luz rosa/dourada que é tão fascinante que me fez (junto com a Carol) achar que era a coisa mais linda de toda a existência. É como Encontros e Desencontros… na verdade, é bem parecido com Encontros e Desencontros. Mas é melhor.

Sim, Encontros e Desencontros é meu filme preferido e provavelmente vai continuar sendo, não importa quantos infinitos Godards ou Bergmans eu veja nem quantos filmes melhores a própria Sofia Copolla faça. Preferido é diferente de “melhor filme que eu vi na vida”, veja bem, eu gosto mais de “Demian” que de “O Lobo da Estepe”, não importa que o segundo é melhor. Mas, apegos esquisitos a parte Somewhere é o melhor dela até agora.

 

É o melhor porque nem todo silêncio é preenchido com música do Air, porque na maior parte das vezes o silêncio é só silêncio, angustiante e vazio. Porque a repetição é infinita e vazia e a gente não se sente sequer obrigado a se atentar a ela, como se sentiria em uma viagem a Tokyo. Porque ela alcança aqui aquele distanciamento do que se vê, graças a trilha sonora. Eu sei que ela bem que tentou em Maria Antonieta, mas nada vai bater a cena das meninas fazendo pole dance com uma música nada a ver: aquilo é tudo, tudo menos sexy.

Ou seja: estamos aqui, presos em um tédio silencioso e vazio de repetição onde nenhuma relação se dá como deveria ser. Claro, o cara consegue se aproximar da filha, mas não como pai, só como alguém com quem ela joga videogame, e mesmo que ele consiga dizer o que deveria ser dito ele sabe que ela não pode ouvir. Continuamos então desabafando ao telefone com pessoas que até poderiam, mas não querem nos ouvir.

 

Olhar para as múltiplas luzes de uma cidade e se sentir completamente sozinho define um filme da Sofia Copolla. É lindo e dolorido, mas talvez, só talvez, tenha saída. Talvez você consiga, um dia estabelecer uma relação não-disfuncional com uma dessas muitas luzinhas.

Mas ela não chega a ser tão otimista.

O que é verdade é, que sabe-se lá porque, os filmes dela me fazem feliz.

 

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2 comentários

  1. que perfeito!
    gente!
    não conseguia imaginar como um filme poderia ser melhor que LiT até ler a essa crítica. vc é maravilhosa para descrever a sofia! e eu entendi perfeitamente o ‘melhor’ que tem aqui. talvez pelo fato de ser uma história contada no cotidiano, e não num cotidiano de outro lugar, o que já é bem diferente especialmente se esse lugar for o Japão.
    e os filmes dela me fazem tão feliz que eu sinto dores só em pensar que preciso esperar até a estréia.

    me fez feliz tbm vir aqui.
    já li duas vezes e lerei a terceira agora.

    obrigada!

  2. Assino embaixo do outro comentário! Crítica, digamos assim, excelente. Sobre a aproximação e as tentativas, matou a pau.
    Os filmes dela também me deixam feliz. Passei duas horas sorrindo vendo esse. E o incrível é que todos eles falam de coisas tão angustiantes como solidão, tédio, deslocamento. Talvez porque mesmo com todas essas coisas, ainda existe a beleza.

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