Never Let Me Go (e a distopia)

Eu gosto de filmes que repitam, de novo e de novo, para mim que o universo não tem saída, que estamos presos, correndo como hamsters em rodas que não saem do lugar. Talvez seja porque eu passei os últimos quatro anos ouvindo como eu não sou um indivíduo constituído, como a modernidade não tem saída e como nós estamos, basicamente, fudidos. E a gente meio que se apega  isso, sabe?

Daí que eu gostei de “Never Let Me Go” (vamos pular a Carey Mulligan ser terrivelmente adorável). Porque é tipo… heartbraking. Porque ele vem e mostra o tal do futuro distópico dentro da sua casa, dos seus órgãos, dentro daquilo que você mais se agarra: a sua existência. Eu tenho um fraco por romances de futuro distópico, e adoro como cada um acerta a seu jeito: “1984” mostra que não adianta você pensar que é íntegro e crítico, se o sistema quiser ele te corrompe. Até os ossos; “Admirável Mundo Novo” diz que não é o que odiamos que vai nos destruir, mas aquilo que nos dá prazer. E “Never Let Me Go” mostra como cada dia da nossa existência é roubada de outro lugar.

E eu nem vou falar de “ah, nós destruímos a natureza e ah, os pandas”, porque eu sou pessimista demais pra discorrer sobre isso, mas a questão é o quanto nosso apego à existência cruza as fronteiras da dita “humanidade” só para nos manter vivendo mais um dia. Mais um dia em um universo fragmentado em que cada prolongamento da nossa existência ou da nossa juventude é de certa forma roubada de nós mesmos, no filme, de seres que sentem e sofrem como nós, mas que são “outros”, mas eu não gosto dessa história do “outro” e vou interpretar como uma metáfora.

No fim, “Never Let Me Go” é um filme sobre a brevidade assustadora da existência e o pouco tempo que nos resta (a qualquer um, clone ou não clone) e ainda sobra a absoluta falta de sentido dessa mesma existência , mesmo daqueles que foram construídos com todo o sentido.

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